terça-feira, 29 de maio de 2018

A MULHER E AS FINANÇAS

Por Adilene Soares


Sempre ministro para mulheres sobre temas diversos e acompanho com frequência seus desabafos relacionados à vida financeira. Ao ouvi-las, geralmente percebo que a situação atinge toda a família e atribuo parte desse percalço a falta de sabedoria em administrar os recursos ganhos durante o mês.
Todavia, essa é uma das características da mulher virtuosa, descrita em provérbios 31. Neste texto a mulher virtuosa é descrita como boa administradora, e isso envolve todos os âmbitos de sua casa.
Não é fácil administrar proveitosamente os recursos alheios. A Parábola do Mordomo infiel (Lc 16) delineia com exatidão essa verdade. Um certo patrão rico confiou seus bens a um administrador e este foi denunciado porque estava defraudando, desperdiçando a riqueza do seu senhor. Em meio ao desespero, por ter sido chamado a prestar contas e ter sido despedido, num lapso de tempo, ele diz: “Já sei”. (É lamentável que hoje em dia, muitas mulheres angustiam-se por não saber mais o que fazer para resolver a crise financeira instaurada no lar. Aquele servo infiel soube o que fazer.) Agindo com astúcia e esperteza, conseguiu reaver parte dos bens e foi elogiado pela sua ação. Embora ele continue sendo apontado como “infiel”, o texto usa essa situação para afirmar que os filhos do mundo são mais hábeis que os filhos da luz. Jesus afirmou no final da parábola nos versículos 11 e 12, que a verdadeira riqueza não é confiada a nós porque não sabemos administrar sabiamente nem as riquezas que a nós foram entregue. Uma nota da Bíblia da Mulher na página 1.291 sobre Planejamento Financeiro diz que “O dinheiro é algo que Deus usa para testar nossa capacidade de lidar adequadamente com as outras dádivas que ele nos quer dar”. Precisamos lembrar que somos apenas mordomo. Deus é o dono de tudo e de todos. Nada é nosso. “Um dia, Ele nos pedirá contas dos recursos que nos confiou.”  
A mulher virtuosa sabia lidar magistral e prudentemente com sua mordomia. Era rica, no entanto começou com pouco, começou “de baixo”. Principiou estabelecendo um bom nível de confiança com seu marido (v.11). Ela sabia que uma sociedade empreendida em um espaço onde não há confiança está fadada ao fracasso, ao insucesso, ao desastre e consequentemente a derrota. Depois, investiu no que tinha no “quintal” de sua casa. Observou que podia lucrar com a lã das ovelhas que criava e com as fibras do linho que cresciam próximo a sua casa. Tecendo esses produtos poderia vendê-los aos mercadores. Era trabalhoso tosquiar as ovelhas, preparar a lã, amolecer as fibras do linho, que é uma planta, até o ponto de tecido; entretanto de “bom grado”, com alegria, sem murmurações, trabalhava com as próprias mãos fazendo roupas e cobertas para a família (Pv 31.13); até à noite, a sua “lâmpada não se apagava” (v.18). Não são poucas as mulheres cujas “lâmpadas” já se apagaram. As únicas acesas são as dos aparelhos de TV e celulares até às madrugadas entretidas nos programas e redes sociais. A mulher virtuosa também acordava cedo para gerir sua casa e dar “ordens às suas colaboradoras” (v.15, Versão King James Atualizada). Só dar ordens e é atendido quem tem exemplo e autoridade; quem é afável, cordial e agradável com os que o cercam. Para as mulheres empreendedoras e donas do próprio negócio, é inegável a indispensabilidade dessa advertência.
A visão de águia dessa mulher era extraordinária. Ela percebeu, ainda que os mercadores estavam sem cintos (v. 24). Logo iniciou a produção fazendo cintos com o couro dos animais. A leveza, delicadeza e elegância das peles ovinas conferiam aos produtos uma ótima qualidade. Consumia a carne, beneficiava a lã então não havia motivos para desperdiçar o couro (v.24). Era uma renda extra. Ela sabia aproveitar e reaproveitar os artigos que tinha em casa bem como as oportunidades que surgiam. O versículo 14 “de longe traz o seu pão” faz-me ver uma pessoa que zelava pela economia e qualidade de sua alimentação. Ela não comia “o pão da preguiça”.  Para ir longe, era necessário ser corajosa e ter a aprovação do marido (v. 27). Muitos esposos, hoje não confiam em suas esposas nem para ir fazer compras no shopping quanto mais ir fazer compras longe. Essa mulher tinha a confiança do marido: “O coração do seu marido confia nela, e não haverá falta de ganho” (v. 11). Com as economias feitas e os lucros que conseguira obter examinou, investigou minunciosamente (não comprava por comprar) e adquiriu uma propriedade. Não a deixou improdutiva, plantou uma vinha. Não jogava dinheiro fora. Tudo na mão dela prosperava assim como nas mãos de José do Egito (Gn 39.3). Percebeu que seu ganho era bom e continuou tecendo para ajudar o aflito e necessitado. Gerenciava bem o seu tempo, por isso atuava no meio social em que estava inserida auxiliando as pessoas carentes. Penso que posso relacionar essa ação aos dízimos e ofertas. Um grande exemplo de fiel mordomia. Temos que entender que sendo infiéis no pouco não seremos abençoados no muito. Se não somos fiéis nos 10% por que esperar que a benção do Senhor recaia sobre tudo que temos? A infidelidade nos dízimos desagrada ao Senhor (Ml 3.8-10). Sem a benção do Alto não há prosperidade frutífera. “Um bom mordomo deve esforçar-se para evitar o desperdício, maximizar os lucros e, acima de tudo certificar-se de que o investimento está agradando a Deus” (Nota sobre Mordomia, p. 1285, Bíblia da Mulher)
Além dessas virtudes ela, bondosamente, dava aulas de administração. Ensinava suas servas como conduzir o bom andamento da casa (v.26).
Apesar dos dissensos sobre autoria deste poema e sobre quem era aquela mulher, às vezes chego a pensar ser ela a mãe do rei Lemuel. Dificilmente alguém saberia expor tantas virtudes se não praticasse diariamente os conselhos dados. Seu nome não é mencionado, porém suas virtudes ressoam através dos tempos e inspiram qualquer mulher que anela ser bem sucedida.
 Qual o segredo de tanto êxito? Sabedoria. E “Se, porém algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida (Tg 1,5). Não obstante, o temor e reverência a Deus é o maior segredo. “A mulher que teme ao Senhor essa será louvada” (Pv 31.30).