Sempre
ministro para mulheres sobre temas diversos e acompanho com frequência seus
desabafos relacionados à vida financeira. Ao ouvi-las, geralmente percebo que a
situação atinge toda a família e atribuo parte desse percalço a falta de
sabedoria em administrar os recursos ganhos durante o mês.
Todavia,
essa é uma das características da mulher virtuosa, descrita em provérbios 31.
Neste texto a mulher virtuosa é descrita como boa administradora, e isso
envolve todos os âmbitos de sua casa.
Não é fácil administrar proveitosamente os
recursos alheios. A Parábola do Mordomo infiel (Lc 16) delineia com exatidão
essa verdade. Um certo patrão rico confiou seus bens a um administrador e este
foi denunciado porque estava defraudando, desperdiçando a riqueza do seu senhor.
Em meio ao desespero, por ter sido chamado a prestar contas e ter sido
despedido, num lapso de tempo, ele diz: “Já sei”. (É lamentável que hoje em
dia, muitas mulheres angustiam-se por não saber mais o que fazer para resolver
a crise financeira instaurada no lar. Aquele servo infiel soube o que fazer.) Agindo
com astúcia e esperteza, conseguiu reaver parte dos bens e foi elogiado pela
sua ação. Embora ele continue sendo apontado como “infiel”, o texto usa essa
situação para afirmar que os filhos do mundo são mais hábeis que os filhos da
luz. Jesus afirmou no final da parábola nos versículos 11 e 12, que a
verdadeira riqueza não é confiada a nós porque não sabemos administrar
sabiamente nem as riquezas que a nós foram entregue. Uma nota da Bíblia da
Mulher na página 1.291 sobre Planejamento Financeiro diz que “O dinheiro é algo
que Deus usa para testar nossa capacidade de lidar adequadamente com as outras
dádivas que ele nos quer dar”. Precisamos lembrar que somos apenas mordomo. Deus é o dono de tudo e de todos. Nada é
nosso. “Um dia, Ele nos pedirá contas dos recursos que nos confiou.”
A mulher virtuosa sabia lidar magistral e
prudentemente com sua mordomia. Era rica, no entanto começou com pouco, começou
“de baixo”. Principiou estabelecendo um bom nível de confiança com seu marido
(v.11). Ela sabia que uma sociedade empreendida em um espaço onde não há
confiança está fadada ao fracasso, ao insucesso, ao desastre e consequentemente
a derrota. Depois, investiu no que tinha no “quintal” de sua casa. Observou que
podia lucrar com a lã das ovelhas que criava e com as fibras do linho que
cresciam próximo a sua casa. Tecendo esses produtos poderia vendê-los aos
mercadores. Era trabalhoso tosquiar as ovelhas, preparar a lã, amolecer as
fibras do linho, que é uma planta, até o ponto de tecido; entretanto de “bom
grado”, com alegria, sem murmurações, trabalhava com as próprias mãos fazendo
roupas e cobertas para a família (Pv 31.13); até à noite, a sua “lâmpada não se
apagava” (v.18). Não são poucas as mulheres cujas “lâmpadas” já se apagaram. As
únicas acesas são as dos aparelhos de TV e celulares até às madrugadas
entretidas nos programas e redes sociais. A mulher virtuosa também acordava
cedo para gerir sua casa e dar “ordens às suas colaboradoras” (v.15, Versão
King James Atualizada). Só dar ordens e é atendido quem tem exemplo e autoridade;
quem é afável, cordial e agradável com os que o cercam. Para as mulheres
empreendedoras e donas do próprio negócio, é inegável a indispensabilidade dessa
advertência.
A
visão de águia dessa mulher era extraordinária. Ela percebeu, ainda que os
mercadores estavam sem cintos (v. 24). Logo iniciou a produção fazendo cintos
com o couro dos animais. A leveza, delicadeza e elegância das peles ovinas
conferiam aos produtos uma ótima qualidade. Consumia a carne, beneficiava a lã
então não havia motivos para desperdiçar o couro (v.24). Era uma renda extra.
Ela sabia aproveitar e reaproveitar os artigos que tinha em casa bem como as
oportunidades que surgiam. O versículo 14 “de longe traz o seu pão” faz-me ver uma
pessoa que zelava pela economia e qualidade de sua alimentação. Ela não comia
“o pão da preguiça”. Para ir longe, era
necessário ser corajosa e ter a aprovação do marido (v. 27). Muitos esposos,
hoje não confiam em suas esposas nem para ir fazer compras no shopping quanto
mais ir fazer compras longe. Essa mulher tinha a confiança do marido: “O
coração do seu marido confia nela, e não haverá falta de ganho” (v. 11). Com as
economias feitas e os lucros que conseguira obter examinou, investigou
minunciosamente (não comprava por comprar) e adquiriu uma propriedade. Não a
deixou improdutiva, plantou uma vinha. Não jogava dinheiro fora. Tudo na mão
dela prosperava assim como nas mãos de José do Egito (Gn 39.3). Percebeu que
seu ganho era bom e continuou tecendo para ajudar o aflito e necessitado. Gerenciava
bem o seu tempo, por isso atuava no meio social em que estava inserida
auxiliando as pessoas carentes. Penso que posso relacionar essa ação aos
dízimos e ofertas. Um grande exemplo de fiel mordomia. Temos que entender que
sendo infiéis no pouco não seremos abençoados no muito. Se não somos fiéis nos
10% por que esperar que a benção do Senhor recaia sobre tudo que temos? A
infidelidade nos dízimos desagrada ao Senhor (Ml 3.8-10). Sem a benção do Alto
não há prosperidade frutífera. “Um bom mordomo deve esforçar-se para evitar o
desperdício, maximizar os lucros e, acima de tudo certificar-se de que o
investimento está agradando a Deus” (Nota sobre Mordomia, p. 1285, Bíblia da
Mulher)
Além
dessas virtudes ela, bondosamente, dava aulas de administração. Ensinava suas
servas como conduzir o bom andamento da casa (v.26).
Apesar
dos dissensos
sobre autoria deste poema e sobre quem era aquela mulher, às vezes chego a
pensar ser ela a mãe do rei Lemuel. Dificilmente alguém saberia expor tantas
virtudes se não praticasse diariamente os conselhos dados. Seu nome não é
mencionado, porém suas virtudes ressoam através dos tempos e inspiram qualquer
mulher que anela ser bem sucedida.
Qual o segredo de tanto êxito? Sabedoria. E
“Se, porém algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus que a todos dá
liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida (Tg 1,5). Não
obstante, o temor e reverência a Deus é o maior segredo. “A mulher que teme ao
Senhor essa será louvada” (Pv 31.30).

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