Mudar é preciso.
Você talvez já deve ter ouvido essa frase
em algum lugar, mas ainda não havia se dado conta do quanto é difícil fazê-lo.
Na verdade, muitos de nós têm aversão a mudanças. Sair da zona de conforto para
deslanchar em uma nova proposta se constitui um verdadeiro sacrifício para
qualquer pessoa. No entanto, a vida sempre exigirá isso de nós.
Não faz muito tempo que precisei fazer
algumas mudanças em minha rotina para adequá-la a uma série de estudos afim de
realizar uma prova em uma determinada instituição. Você não sabe o
quanto foi difícil para mim ter que alterar muitas atividades para dedicar
total atenção para os estudos (que naturalmente não faziam parte da minha atual
área de concentração). O bom de tudo é que, querendo ou não, acabamos nos
acostumando a essas mudanças e experimentando o fruto delas.
Ao longo destas linhas você chegará a
grande conclusão de que a mudança, seja ela de pensamento ou de atitudes, se
constituem indispensáveis para o bom andamento de seu relacionamento. Um de
nossos grandes equívocos quando resolvemos constituir uma família ao lado de
outra pessoa é pensar que essa pessoa deve nos aceitar do jeitinho que nós
somos e que não precisamos mudar absolutamente nada. Todavia, esse é um passo
importante para quem deseja alcançar sucesso em um relacionamento conjugal.
Independentemente do quanto você já esteja
preso a uma rotina ou mesmo a uma maneira de pensar, nunca é tarde para mudar.
Mas, para que isso aconteça, adianto-lhe que as velhas falácias que tentam lhe
justificar a maneira de ser ou de agir devem cair por terra se é que realmente
deseja construir um lar saudável e forte.
Quando
a mudança se faz necessária?
Nós temos uma leve tendência a achar que
não precisamos mudar. Isso acontece porque geralmente transferimos ao outro o que
precisamos mudar em nós. Todavia, todos nós temos pontos deficientes que
precisam ser mudados. Uma pessoa que insiste em fazer tudo da mesma maneira,
mesmo que isso entristeça os que o cercam é, sem dúvidas, alguém propenso a
ficar só ou sofrer bastante por isso.
Pois bem, você percebe que precisa de uma
mudança em sua vida quando chega à conclusão de que não consegue mais estabelecer
uma comunicação amigável com o seu cônjuge. Sabe aqueles encontros quando tudo
que restam são faíscas? Já não se consegue mais conversar, o diálogo não encontra
mais guarida no relacionamento. Na verdade, para quem não está nem um pouco
disposto aceitar que está errado, qualquer palavra que lhe vem de encontro é
uma afronta à sua maneira de viver. Pessoas que resistem a mudanças são ásperas
no trato com o próximo.
Quando você perceber que a comunicação
entre você e seu cônjuge chegou a proporção em que resta mais barulho do que
entendimento; ou quando se der conta de que as pessoas a sua volta,
principalmente o seu cônjuge já não sente mais prazer em estar ao seu lado;
quando se der conta que tudo que faz ou diz sempre traz consequências morais ou
emocionais àqueles que o cercam, é exatamente neste momento que você precisa
mudar.
Provocando a
mudança
Um dos nossos grandes erros é exigirmos a
mudança do outro quando na verdade nós é que precisamos mudar. Reconhecer suas
falhas e sua necessidade de mudar é o primeiro grande passo para construir um
relacionamento saudável.
A falta de maturidade para entender a
necessidade de mudanças é que tem levado muitos casamentos a perca total.
Infelizmente, nos deparamos diariamente com pessoas imaturas a nossa volta. São
pessoas que geralmente não conseguem se aceitar e, muito menos, aceitar o
outro. Não bastasse isso, toda essa carga negativa acaba se acumulando ao longo
dos anos pois não conseguem se livrar de todos esses encargos. O pior de tudo é
que ainda acabam encontrando desculpas para justificar as suas atitudes
dizendo, por exemplo, que herdou isso de fulano ou de beltrano, que geralmente
é algum ascendente. Todavia, trata-se apenas de um ato imaturo e pessoas dentro
desta classificação precisam reajustar sua maneira de ver a si mesmo e ao
próximo.
Jesus já havia falado disso quando ensinou
que deveríamos amar o próximo como a nós mesmos (Mt 22.39). Isso fica bem mais
claro quando entendemos que não haverá um relacionamento amoroso com o outro se
primeiro eu não amar a mim mesmo. Quando eu vejo as minhas deficiências pessoais
como um déficit para minha completude como pessoa, então começo a reorganizar
minha maneira de viver, que consequentemente se desencadeará em um
relacionamento melhor com aquele que está perto de mim.
Mude primeiro a
sua maneira de pensar
O apóstolo Paulo já havia alertado a não
nos conformarmos com este mundo, mas transformarmo-nos pela renovação da nossa
mente (Rm 12.2). Sabe qual é o grande passo que você deve dá para a mudança?
Mudando primeiramente a sua maneira de pensar.
Pessoas “bitoladas” não pensam em como as outras se sentem quando são
agredidas verbalmente ou tratadas asperamente. Sabe por quê? Por são imaturas
demais para se colocar no lugar do outro.
Quando, na condição de cônjuge, me coloco
no lugar do outro e tento imaginar como ele se sente quando recebe algum
tratamento áspero de minha parte começo a refletir sobre minhas atitudes.
Se, pelo contrário, agimos como se
estivéssemos totalmente certos, usando termos como “eu nasci assim”, ou “sou
igual o meu pai”, ou ainda “não tenho culpa de ser assim”, insistimos em
continuar pensando que esse desvio em nossa personalidade é algo genético ou
imanente, quando na verdade é passível de mudança.
Mude à sua maneira de pensar e
consequentemente você mudará à sua maneira de agir. Não resista a mudança
quando essa só tende a melhorar a sua vida, aliás quando você decide mudar a
maneira de pensar, passa a transformar gradativamente as suas atitudes em
relação a Deus e ao próximo. É isso que o apóstolo está nos ensinando.
Aceitar as
orientações de Deus para mudar
Comumente vemos muitas pessoas que até
sabem o que fazer, mas infelizmente não o fazem. A resistência a mudança os
condicionam a situações bem difíceis dentro das relações conjugais. Pessoas
resistentes assim, tendem a aceitar a sua condição em detrimento de sacrificar
seu orgulho em prol da sua própria felicidade.
A Bíblia nos registra o caso de Naamã,
chefe do exército do rei da Síria (2 Rs 5.1). Todos sabemos que apesar de todo
esse prestígio, Naamã era leproso, e no contexto das páginas sagradas, tanto no
novo quanto no antigo testamento, a lempra não tinha cura, a não ser que
houvesse uma intervenção divina.
Através de uma menina piedosa e que
confiava no Senhor, a mulher de Naamã teve conhecimento de que em Israel havia
um profeta que era poderosamente usado por Deus, ao passo que contou para o seu
marido. Este de posse de uma carta de recomendação do seu rei, dirigiu-se ao
rei de Israel. Esse, apesar de rei, não pode sarar-lhe daquela enfermidade.
Eliseu, porém, ouvido acerca da chegada de
Naamã e de como isso causou alvoroço ao rei, que não podia lhe oferecer a cura,
solicitou que enviasse o general até a sua casa e este saberia que havia
profeta naquela nação (2 Rs 5.8).
Ao chegar, Naamã fora imediatamente
recepcionado pelo mensageiro de Eliseu que o instruiu a lavar-se sete vezes nas
águas do rio Jordão. A orientação lhe soou completamente descabida ao ponto de
lhe provocar indignação: “não são,
porventura, Abana e Farpar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de
Israel? Não poderia eu lavar neles e ficar purificado? E voltou-se e se foi com
indignação” (2 Rs 5.12).
O que nos chama a atenção nessa passagem
bíblica são exatamente as palavras dos servos de Naamã, que se mostram bem mais
sábios do que o próprio general: “Meu
pai, se profeta te dissesse alguma grande coisa, porventura, não o farias?
Quanto mais dizendo-te ele: Lava-te e ficarás purificado” (2 Rs 5.13). Só,
então, depois destas argumentações decidiu se lavar no Jordão.
Eu lhe contei toda essa história bíblica,
que você talvez já a conheça - até mais que eu - para lhe mostrar o quanto é
importante mudarmos alguns pensamentos que ora regem as nossas atitudes afim de
recebermos o milagre da parte de Deus.
Assim como Naamã, vez ou outra,
encontramos pessoas que até sabem o que fazer, mais estão tão presas no seu
mundinho imutável que não se propõem a aceitar as orientações de Deus para sua
vida e como o chefe dos exércitos do rei da Síria já seguem o seu caminho,
aceitando a sua atual situação sem ao menos tentar.
Minha oração é que você decida a partir de
hoje decida mudar o que tem causado transtornos ao seu casamento para, então,
desfrutar o melhor de Deus ao lado de seu cônjuge.
Em Cristo,
Edeilson Santos
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