quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Série: Mudança de comportamento


O VALOR DA PRUDÊNCIA NO CASAMENTO
Por: Edeilson Santos

Antes de qualquer coisa, deixe-nos trazer as definições da palavra prudência de acordo com o dicionário de língua portuguesa e o dicionário bíblico:

Dicionário brasileiro globo: “Virtude que nos leva a conhecer e evitar os erros e os perigos; tino; cautela; precaução; moderação”.
Dicionário Wicliffe: “A palavra hebraica ‘arumé’ é usada tanto no bom sentido, significando alguém sensato (por exemplo, Pv 14.8,15,18; 15.5), como no mau sentido, significando alguém sagaz ou astuto (Gn 3.1; Jó 5.12,13; 15.5; Salmos 83.3). A palavra hebraica bin e a grega synetos, por outro lado, enfatizam uma decisão inteligente (Pv 16.21; 18.15; Is 29.14; Mt 11.25; At 13.7; 1 Co 1.19) ”.

A partir das definições supracitadas, é possível que você perceba o quanto essa virtude se faz necessária para a boa convivência dos casais e familiares. Às vezes, nos deixamos levar pelo nosso temperamento agressivo e imediato e, sem medir as consequências, acabamos causando transtornos das mais diversas ordens dentro de nossa casa.
Se você lida com uma pessoa difícil em sua relação conjugal vai precisar fazer uso dessa virtude todos os dias a fim de provocar uma mudança de atitude em seu cônjuge. Quando fazermos uso da prudência, evitamos muitos problemas e, consequentemente, corrigimos certas falhas que provocam irregularidades no convívio com os outros e, principalmente, no casamento.
O livro de Provérbios nos traz algumas lições sobre essa importante virtude. Uma delas é que o nosso vínculo com ela deve ser o mais próximo possível ao ponto de chamar a sabedoria de irmã e a prudência de parenta (Pv 7.14), aludindo assim o quanto devemos agir movidos pela calma e sensatez.
Outro ponto importantíssimo é que a palavra de Deus também afirma que a sabedoria habita junto com a prudência: “eu, a sabedoria, habito com a prudência, e acho o conhecimento dos conselhos” (Pv 8.12). Logo, está muito claro nas palavras do texto bíblico que aquele que age com prudência é também uma pessoa sábia.
Um outro ponto não menos relevante que os demais é que a prudência torna o homem capaz de reter a ira (Pv 19.11). Todos nós sabemos que a ira quando extravasada é capaz de causar danos, muitas vezes, irreversíveis. Eis o motivo da palavra de Deus também nos advertir sobre não se pôr o sol sobre a nossa ira ( Ef 4.26), porque o problema não consiste em se irar, mas em tornar essa ira um furor ao ponto de causar danos físicos e emocionais às pessoas que nos cercam.
Não são poucos os exemplos de casais que por falta de prudência acabam machucando o seu cônjuge e esta não é a vontade de Deus para sua vida, nem mesmo para aquele que você escolheu para passar a vida ao seu lado. Portanto, como nós devemos agir diante das dificuldades que surgem em nosso casamento de forma prudente?
Em primeiro lugar, não suscite a ira de seu cônjuge – A Bíblia diz que “a resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira”(Pv 15.1).  Se deixamos a raiva aflorar em nossas relações não resolveremos absolutamente nada. Pelo contrário, comprometeremos mais ainda as coisas. Não tome a decisão precipitada de agir com o sangue àflor da pele, primeiro se afaste daquilo que lhe causou tamanha ira, reflita, pense e só depois que se acalmar opte pela conversa.
Lembro-me que recentemente ouvi um testemunho de uma irmã, em um de nossos núcleos de casais, que argumentou que tinha o costume de nem esperar seu esposo sentar direito assim que chegava do trabalho, pois já ia logo descarregando sobre ele algo que lhe aborreceu durante o dia, mas a partir do dia que nos ouviu falar sobre a boa recepção no casamento, resolveu mudar esse hábito e observou mudanças no seu casamento. Não suscitar a ira no outro é um belo ato de prudência no seu relacionamento. Procure o jeito certo de tratar com seu cônjuge sem que isso lhe cause furor e provoque um terremoto em seu casamento.
Em segundo lugar, seja sensato ao tratar com o seu cônjuge (2 Co 11.19) – O termo em questão admite a ideia de “suportar alguém, ter paciência com respeito aos erros ou fraquezas” (STRONG, p.2067).  Lembre-se de que ninguém é igual a você. Às vezes, caímos no erro de tratar o cônjuge com uma enorme rispidez e nos esquecemos de que estamos nos dirigindo a uma pessoa dotada de sentimentos e emoções. Pense que alguns problemas que você enfrenta no matrimônio devem ser tratados com delicadeza e equilíbrio para não se convertam em dificuldades ainda maiores. Muitos casais, por falta de orientações certas, acabam lidando com as dificuldades no casamento de maneira muito grosseira e desequilibrada. Um cônjuge prudente sabe que alguns pontos de conflitos exigem equilíbrio emocional e lidam com isso de maneira extremamente sábia.
Em terceiro lugar, não perca a paciência (Sl 40.1) – A paciência deve ser uma das maiores virtudes de quem deseja agir com prudência e, ao mesmo tempo, uma das mais difíceis. Até porque de acordo com a Bíblia Sagrada ela é resultado de uma série de tribulações (Rm 5.3). Não é à toa que se constitui uma característica forte dos que agem com prudência. Ser paciente, no entanto, não nos permite cruzar os braços e simplesmente esperar. Embora não seja de uma hora para outra que verá a mudança em seu casamento, você é uma peça importantíssima para que isso aconteça e se perder a paciência corre o risco de jogar tudo para o ar. Aliás, a paciência é umas das características do amor, descritas por Paulo no capítulo 13 da primeira carta aos irmãos de corinto (1 Co 13.4). Neste contexto, o termo sofredor (makrothymeõ), indica também “ter (muita) paciência, ser paciente, suportar pacientemente” (STRONG, p. 2290). Logo, o cônjuge prudente comporta-se pacientemente diante das agruras que lhe sobrevêm no casamento afim de preservar a saúde de seu matrimônio.
Viu só como essa virtude é importantíssima para vida conjugal? Um casamento em que um dos cônjuges não desfruta da prudência está fadado a viver constantes conflitos. Por isso, se você ainda não é uma pessoa prudente nas suas ações e palavras, comece mudando em você aquilo que desagrada o seu (a) parceiro (a).



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