quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Série Mudança de comportamento


O VALOR DO RESPEITO NO CASAMENTO
Por: Edeilson Santos

O respeito é a base de toda e qualquer relação humana. Discordar disso é estar aberto para constantes conflitos, e muitos são os casamentos que chegam ao esfacelamento total pela falta desse requisito necessário para manutenção das relações conjugais e familiares. Minha esposa conversava com uma mulher que havia passado recentemente por uma separação e indagada sobre a possibilidade de voltar para o seu ex-marido, ela disse: “o respeito acabou”. Noutras palavras: não havia qualquer chance de reconciliação, pois, os cônjuges não se toleravam mais. Realmente, essa é uma situação lamentável e triste.
Antes de fazermos qualquer consideração acerca deste assunto deixe-nos trazer a definição do dicionário Globo (1998, 50ª ed.) acerca da palavra respeito:

Respeito: Ato ou efeito de respeitar; acatamento; importância; Consideração.
Respeitar: Tratar com acatamento;... Honrar;... Ter em consideração.

É natural que em nossa maneira de viver e no constante processo de convivência com os outros, desejemos nos sentir confortáveis. Mas, para que isso aconteça é necessário haver uma consideração em relação ao outro. Quando acaba o respeito, eliminam-se todas as chances de conciliações e acordos entre duas pessoas.
A relação conjugal é também estabelecida por essa virtude. E não é simplesmente um respeito em que só uma das partes é beneficiada, pelo contrário, o respeito deve partir de ambos.
Perguntei para alguém que questionava ferrenhamente sobre a atitude de amar ao próximo estabelecida por Jesus nos evangelhos: O que é amar o próximo para você? Sem muitas palavras, em sua resposta, fez a importante associação do amor ao respeito.
— “Amar o próximo é respeitá-lo” — disse ela.
Quando fazemos esse tipo de associação, estamos mostrando que tanto o amor, quanto o respeito são atitudes e não meramente palavras. João escrevendo sobre o amor disse: “Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade” (I Jo 3.18). Não muito distante disso, o respeito como uma das bases que sustentam o amor, deve acontecer não só em palavras, mas em ações.
Logo, se o respeito é uma atitude de amor, deixamos de amar quando desrespeitamos o nosso cônjuge. Na verdade, somos tendenciosos a usar o respeito para nos beneficiar em algumas situações que julgamos importantes e nos esquecemos que tão importante quanto é para nós, também o é para o nosso próximo.
Tente lembrar, neste momento, como era a sua atitude quando conheceu o seu cônjuge. No namoro, geralmente, nos comportamos muito bem: nos preparamos para encontrar o outro; planejamos muito as palavras para falar; tentamos não ser ríspidos - e quando somos, pedimos desculpas; não temos hábitos não higiênicos na frente do outro; ou seja, nos preocupamos ao máximo com o bem-estar do pretendente a casamento revelando a consideração que temos em relação a ele (a).
No casamento, portanto, isso não deve acabar. A intimidade que passamos a ter com o outro não denota a extinção do respeito. Pelo contrário, nossas atitudes devem maximizar isso, pois à medida que eu considero o meu cônjuge, agindo com respeito, o nosso amor se estabelece e aumenta.
Todavia, se minhas praticas cotidianas desmerecem o meu cônjuge a tendência é que a admiração também acabe. Quantos não eram admirados pelo parceiro (a) durante o namoro, mas que quando casaram começaram a ser tratados com total desrespeito ao ponto de deixarem ser admirados. Suas palavras passaram a ser ofensivas, suas ações passaram a ser constrangedoras, perdeu o senso de moralidade para com o outro. Todas essas ações acabam enfraquecendo o casamento e provocando em muitas situações até o divórcio.
Mas, permita-nos discutir algumas atitudes que consideramos inteiramente necessárias para a manutenção do respeito em sua relação conjugal:
Em primeiro lugar, converse, exponha suas insatisfações - Tente conversar com seu cônjuge sobre como se sente quando é tratado (a) sem o devido respeito. Muitos casais passam a vida toda insatisfeitos por não serem tratados com a devida consideração que merecem como cônjuges, isso quando suportam por muito tempo. Particularmente, entendo que nossas insatisfações devem ser expostas ao cônjuge, afinal ninguém é obrigado a conviver num ambiente em que as pessoas que fazem parte dele não nos respeitam. Você pode com toda a razão argumentar: “Mas ele (a) não me ouve”. Neste ponto, preciso esclarecer dois passos importantes: primeiro, você se comporta exatamente como deseja que seu parceiro (a) se comportasse? Geralmente exigimos de nosso cônjuge aquilo que nós mesmos não praticamos. Respeito requer também respeito, atenção também requer atenção, e assim por diante.
Segundo: uma boa dica é aproveitar uma oportunidade favorável para chamar a atenção para pontos que você considera como falta de respeito. É bom não expor suas indignações em momentos de raiva ou discussões. Do contrário, não surtirá nenhum efeito positivo.
Pois bem, às vezes algumas pessoas agem naturalmente e têm ações que aos seus próprios olhos não ofendem nem agridem ao outro. Por isso, precisam ser despertados para determinadas atitudes. Um bom exemplo para frisarmos aqui é o hábito de “soltar pum”, totalmente necessário e natural ao nosso organismo, no entanto, absolutamente não higiênico quando feito perto de outras pessoas. Para alguns, que acham que a intimidade conjugal pode acoplar isso, esse ato pode ser considerado normal, mas não é. E é tão verdade essa palavra, que no namoro não costumávamos agir assim.
Em segundo lugar, toda esposa espera um marido que a respeite – É triste quando ouvimos casos de esposas que são desrespeitadas pelos cônjuges. Mas há casos bem mais extremos, de homens que denigrem a imagem da sua esposa, muitas vezes publicamente. Quando um marido age dessa maneira descumpre totalmente o juramento, que fez no altar, de respeitar a sua esposa até que a morte os separe, além de descumprir também a palavra de Deus que exorta a amar a sua esposa como Cristo amou a Igreja (Ef 5.25). O respeito está intrinsecamente ligado com o ato de considerar o outro, e muito mais que isso, ele precisa ser demonstrado por meio de suas ações, afinal, respeito é bom e todo mundo gosta. Como você costuma tratar sua esposa? Hostilizando-a? Tratando-a como um objeto? Chamando-a por termos pejorativos? Agindo grosseiramente em sua presença? Pergunto-lhe mais ainda: Você, como igreja de Jesus Cristo, gostaria de ser tratado por Ele, da mesma forma que, às vezes, costuma tratar sua esposa? Se você quer obter respeito de sua esposa, antes de tudo, respeite-a.
Em terceiro lugar, todo esposo espera ser respeitado pela esposa - Não quero aqui em nenhum momento favorecer os homens em relação a esta atitude, mas ressaltar a importância do respeito dentro do âmbito conjugal. O respeito é uma atitude que deve ser preservada em todas as relações humanas. Falando nisso, lembro-me que participei de um encerramento de uma campanha em que a pregadora, ao se referir ao marido, que também estava presente, o chamou de babão em um tom bem pejorativo diante de todo o povo ali reunido. Lamento, irmãos, mas não posso ver isso como uma atitude de respeito, afinal, respeito é, dentre muitas definições, considerar o outro. O que achava do marido não precisava ser exposto para uma congregação de mais de duzentas pessoas reunidas. Às vezes, algumas mulheres acham que o fato de seus maridos serem menos ativos em relação a elas – pois nós sabemos que existem mulheres que têm mais atitude que alguns homens – não lhes dá o direito de desrespeitá-los seja na intimidade do casamento ou publicamente. Cá está um bom argumento para responder a famosa indagação sobre o que é ser submissa de acordo com a Bíblia sagrada (Ef 5.22). Respeitar o seu marido é um ato de submissão que é bem visto pelo nosso Deus.
No mais sabemos que existem situações desconcertantes em muitos casamentos e não ignoramos isso. Se seu cônjuge não lhe ouve, persistindo em lhe desrespeitar com ações desonrosas, busque a Deus em oração. Como cristão, e neste momento falo por mim, não acredito que o Senhor deseje para seus filhos atitudes humilhantes em um relacionamento que deve ser pautado no respeito e no amor mútuo. Que Ele nos ensine a respeitar mais o nosso cônjuge.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Série Mudança de Comportamento


O VALOR DA COMPREENSÃO NO CASAMENTO
Por: Auricléssio Lima 

Temos comentado ao longo desses estudos algumas virtudes essenciais para o bom convívio no relacionamento conjugal. Se você prestou bastante atenção, percebeu que a palavra valor tem sido frisada no decorrer de nossos temas. Isso acontece porque essa palavra nos remete a pensar em algo de estimada importância, por isso, seu sentido indica “valia, preço, legitimidade” (AURÉLIO, p. 701). É exatamente esse significado que é preciso atribuir, tanto para as virtudes outrora citadas, quanto a esta que estamos pondo em destaque: a compreensão. Atribuir valor a essas virtudes é colocá-las em prática, é acreditar que elas podem produzir resultados satisfatórios não só para nós quanto para aqueles que nos cercam.
Não seria nenhum exagero dizermos que a compreensão chega a ser um dos pilares que sustentam o casamento, pois ela é a porta de entrada para uma comunicação saudável e eficaz. Não havendo compreensão entre o casal, consequentemente haverá desentendimentos e conflitos.
Diante disso, permita-nos perguntar: O que você pensa sobre a compreensão? Você se sente compreendido? Consegue compreender bem os anseios de seu cônjuge? Você sabe realmente o que é compreender?
Uma das definições que nos chama a atenção em relação ao termo é “conhecer a intenção, lat. comprehendere”, (FIGUEIREDO, p. 516). Foi exatamente isso que Davi fez perante ao Senhor, ele pediu para que Deus sondasse seus pensamentos e intenções do coração, (Sl 139.23). Em outras palavras, Davi estava declarando que Deus o compreendia em sua totalidade, desde seus hábitos até as mais íntimas intenções. Nos utilizando dessa exposição do salmista, podemos associar que compreender nosso cônjuge diz respeito a saber qual a intenção de suas ações, as razões pelas quais ele fez ou deixou de fazer algo, reconhecer as necessidades emocionais, físicas e psicológicas, discernir e não deduzir o que torna feliz a pessoa que amamos.
Quando Davi diz que Deus o “conhece”, está assegurando que o Senhor “observava, cuidava, e reconhecia” seu servo, (STRONG, p.1674). O mesmo se aplica a nós. Se afirmamos que compreendemos a pessoa com a qual nos casamos, estamos dizendo que a conhecemos muito bem, que temos zelo para com ela e sabemos reconhecer exatamente as oscilações de sua personalidade. Essa era a relação de compreensão vista entre Deus e seu servo Davi.
Infelizmente a incompreensão tem marcado casais que veem seus casamentos se tornarem raquíticos, infelizes e sem vigor. Não bastasse isso, tem provocado também feridas e levado alguns a optarem pelo divórcio. Quando o marido ou a esposa age de maneira incompreensiva, não se importando com o outro, passa a provocar danos muitas vezes irreversíveis.  
Na maioria dos casos, quem não compreende, geralmente não percebe sua falha. Só sente quem está sendo vitimado pela incompreensão e todas as vezes que expõe o que sente não é compreendido. Na verdade, a compreensão é uma via de mão dupla. Se você não se colocar no lugar do outro para perceber suas aflições, jamais o compreenderá. Como, então, você deve agir a fim de se tornar um cônjuge mais compressivo e mudar suas atitudes em relação ao outro? É o que veremos nas linhas a seguir:
Primeiramente, a compreensão não envolve deduções. Quem realmente compreende, não realiza deduções, não chega com palavras ásperas já ofendendo o parceiro e suscitando a ira, (Pv 15.01). Segundo o dicionário Aurélio, “a compreensão também envolve inteligência”, (p.169). Quem julga sem compreender, não age com inteligência, mas sim com instinto, assemelhando-se aos animais irracionais. Não sei se você já vivenciou uma situação, em que alguém lhe julgou erroneamente, realizou deduções do que haveria acontecido antes mesmo de se apropriar dos fatos. Certamente, uma ação desse nível representa uma completa imaturidade. Não façamos isso!
Segundo, a compreensão envolve entendimento. Não há como compreender se não houver um bom entendimento. O entendimento é a base essencial para a compreensão. Entender é apropriar-se dos fatos, já compreender é atribuir uma interpretação aos mesmos. É mais do que obrigatório conhecermos qual o tipo de temperamento, entender as fragilidades, as necessidades e as dificuldades do outro. Se não soubermos essas coisas, como seremos capazes de compreender nosso cônjuge em um momento de desabafo ou mesmo uma atitude que seja contrária à nossa vontade? De que maneira iremos compreender as tristezas, as angústias, as decepções se não entendermos os desafios e as problemáticas na vida de nosso cônjuge? Há muitas pessoas que pelo fato de não ter a menor ideia do que está vivendo seu parceiro, erram em suas interpretações, que por sua vez, acabam gerando mágoas. Saiba exatamente quem é seu parceiro, procure entender o que ele está vivenciando, quais as dificuldades, e ajude a lidar com isso. Compreenda a situação e tenha ações efetivas para   o crescimento e não a destruição.
Terceiro, a compreensão envolve um julgamento correto. Cristo em seu sermão do monte, nos ensinou que não devemos julgar erroneamente o próximo. (Mt 7.3,4). De acordo com o comentário bíblico pentecostal, Jesus não está proibindo o julgamento, mas que esse “seja feito com valor, que o certo e o errado sejam identificados e que o digno e o indigno sejam discernidos. O discípulo deve ver a falta no irmão de forma que tal pessoa seja trazida a uma correção gentil e firme” (ARRINGTON, p.59).
Assim devemos proceder, não podemos julgar nosso cônjuge nos eximindo de qualquer falha, precisamos também nos avaliar, é preciso analisar quais pontos precisamos melhorar, para depois exigir mudança de nossa parceira (o). Mas, ao contrário do que Cristo ensinou, há muitos esposos e esposas com a trave em seus olhos e mesmo assim falando do argueiro no olho do cônjuge. Analise seu comportamento e veja como tem reagido às atitudes do outro, abra os olhos para as possíveis mudanças de sua parte.
Quarto, a compreensão envolve altruísmo. Conforme o comentário exposto acima, entendemos que a compreensão exige um julgamento prévio e correto para depois compreendermos os fatos de maneira justa. Para isso, é preciso haver um sentimento altruísta neste processo de compreensão, ou seja, antes de qualquer opinião firmada, nos coloquemos na posição do outro. Essa ação é necessária para não sermos falhos em realmente entender a situação; com esse sentimento altruísta estaremos olhando todos lados possíveis da situação.
 Entendamos que nem sempre as coisas são como parecem ser.  Quando adquirirmos um sentimento altruísta, seremos perceptivos em entender os sentimentos presentes em nosso cônjuge. A compreensão deve ser recíproca, para isso ambos os cônjuges devem agir com altruísmo. Uma boa compreensão envolve saber as duas faces da moeda, de outra forma ela será injusta.
Em quinto lugar, a compreensão fortalece a relação.  A compreensão tem o forte poder de fortalecer a relação. Imagine quão agradável é, quando ao chegar em sua casa, cansado (a) após um longo e estressante dia de trabalho, a primeira coisa que seu cônjuge diz é “meu bem, descansa que eu preparo uma boa e saborosa refeição”. Explicitamente, o ato de seu (sua) parceiro (a), representa uma compreensão do seu estado de cansado após um dia exaustivo e por meio desta ação amplia e fortalece o vínculo entre vocês. Entretanto, se ao invés dessa postura, seu cônjuge faz exigências, mesmo sabendo do dia estressante que você teve, estando ele mais descansado que você, fragiliza a relação e causa transtornos que tendem a se acumular ao longo da vida a dois.
Fortaleça seu casamento praticando a compreensão em seu dia a dia. Compreender também é uma maneira de abrir portas para também ser compreendido. Que Deus nos ensine a cada dia a olhar para o nosso cônjuge com um olhar compreensivo e amoroso.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Série Mudança de Comportamento


O VALOR DA GRATIDÃO NO CASAMENTO
Por: Edeilson Santos


Acreditamos que a gratidão é um dos mais belos sentimentos que uma pessoa pode externar em relação à outra. Para sermos sinceros, todos temos uma certa ojeriza a pessoas ingratas. Você pode até não se dar conta das ingratidões que comete, mas jamais deixa passar quando alguém não lhe é grato por um ato de serviço que lhe fez. Diga-se de passagem, que as nossas relações, querendo ou não, são em parte sustentadas por esse sentimento. Isso acontece não só em relação a Deus – e nós não somos tão gratos quanto deveríamos ser, haja vista, o mero fato de respirar que ele nos proporciona – mas também em relação àqueles que estão a nossa volta.
Ser grato, como ressaltam os dicionários, é ser agradecido e remete-se ao termo gratidão, que por sua vez denota “reconhecimento por benefício recebido; qualidade daquele que é grato” (LUFT, 1998). Trata-se de uma virtude indispensável a todos os seres humanos.
Biblicamente, é bom ressaltar que na maioria das vezes em que se utiliza o termo gratidão ele está relacionado a Deus, como vemos nas referências a seguir (Lc 18.11; Jo 11.41; At 28.15; Rm 7.25). No entanto, Paulo é um dos escritores usados por Deus para nos ensinar a ser agradecidos também aos outros seres humanos (Cl 3.15), nos mostrando o quanto o nosso relacionamento com os irmãos - pois falava aos irmãos em Colossos sobre o vínculo fraternal – deve ser pautado também pelo sentimento de gratidão. O apóstolo, por sua vez, já carregava esse sentimento consigo, na epístola aos Romanos agradece aos seus amigos Priscila e Áquila por cooperar com o seu ministério: “saudai a Priscila e a Áquila, meus cooperados em Cristo Jesus, os quais pela minha vida expuseram a sua cabeça; o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios” (Rm 16.3,4). Tamanho sentimento tornava essa amizade cada vez mais forte.
Semelhante a isso o casamento também deve ser um espaço de gratidão, aliás os cônjuges estão incumbidos de repassar essa virtude aos filhos, que por sua vez, conviverão em sociedade e precisarão desenvolver esse aspecto no cotidiano. Porém, nem sempre essa virtude é trabalhada nos relacionamentos. Alguns casais, quando casam, têm a falsa ideia de que seu cônjuge tem a obrigação de fazer o que desejam, por isso, não tem o bom costume de agradecer pelos atos do outro. No entanto, ao longo dos anos essas atitudes acabam tomando dimensões cada vez maiores.
Atos simples de gratidão podem se transformar em grandes resultados no coração de quem recebe. Por exemplo: a esposa que agradece ao esposo no dia dos pais pelo pai que ele tem se mostrado ao longo dos anos, pode até parecer pequeno, por se tratar de um dever dele em relação aos seus filhos, mas aos ouvidos de que recebe pode ser melhor de que qualquer presente. O mesmo acontece em relação a esposa. As mulheres são profundamente motivadas pelo que ouvem e, neste caso, a gratidão acompanhada de um presente, pode ser um belo exemplo motivacional.
É preciso destacar que pessoas ingratas geram, consequentemente, pessoas também ingratas, e como disse no início desse texto, nós somos muito tendenciosos à ingratidão, mas não toleramos quando os outros não reconhecem o nosso esforço e trabalho em prol deles.
É bom frisar que se por um lado a gratidão opera em nós grandes bênçãos, por outro lado a ingratidão traz prejuízos horríveis à alma do homem ou da mulher. Quantos casais vivem amargurados e infelizes por causa da falta de gratidão dentro de casa. Ele sofre e se tornou alguém sem nenhuma sensibilidade porque tudo que fez em prol de sua família não teve o devido reconhecimento. Da mesma forma, ela vive amargurada porque se esforça de todas as maneiras para oferecer ao esposo e filhos o melhor e nem sequer é lembrada em datas especiais. E assim, centenas de casamentos vivem de fachada, ou “aos trancos e barrancos”. A ignorância está à flor da pele, ambos não precisam de muitas provocações para lançar em rosto toda a insatisfação que sentem por não verem nenhuma manifestação de gratidão pelo que fazem. A ingratidão causa raízes de amargura no coração, tanto do que faz e não é reconhecido, quanto do ingrato que torna seu coração cada vez mais insensível aos atos bons que lhe fazem.
No entanto, não podemos fugir a um aspecto importante que nos rege ao longo destes estudos que estamos fazendo: mudança. Se você não encarar a falta de gratidão como um entrave para o seu relacionamento e a partir disso não decidir mudar seu comportamento com vistas a se transformar em uma pessoa melhor, de nada adiantará.
Ser grato no casamento revela algumas características e mudanças de comportamento que acarretarão em um grande esforço para você, mas que são inteiramente importantes. Então vamos a elas:
Em primeiro lugar, seja grato pelas pequenas coisas – Há pequenos gestos que são frutos de muito carinho. Você já experimentou agradecer seu cônjuge por aquela comida feita com carinho e que era desejada já há alguns dias? Temos a tendência a ser ingratos com as pessoas pensando que elas têm a obrigação de fazer qualquer coisa para nos agradar, no entanto, pequenos gestos sempre são resultados também de muito amor. Um simples favor merece também um obrigado.
Em segundo lugar, gratidão também se demonstra – Não basta ser grato no coração, é preciso também demonstrar essa gratidão. Lembro-me de um texto bíblico que narra a cura de dez leprosos que rogaram a Jesus que os curasse (Lc 17.13). A Bíblia diz todos os dez receberam a cura (Lc 17.14), mas apenas um quando notou que estava limpou voltou glorificando a Deus em alta voz e caiu aos pés de Jesus grato pelo milagre. Sua gratidão lhe gerou salvação em Cristo Jesus (Lc 17.19). Muitos cônjuges sofrem pela falta de gratidão do outro. Às vezes não se trata de não ser grato, mas da falta de demonstração dessa gratidão. O mais interessante é que geralmente essas pessoas demonstram gratidão em relação a outras pessoas, mas em casa não o fazem. Deus, todavia, deseja que sejamos gratos às pessoas pelo que nos fazem.
Em terceiro lugar, gratidão gera gratidão – A gratidão tem o poder de gerar gratidão nos outros. Quando nos manifestamos para agradecer o outro por algo que fez voluntariamente, por mais que tenha sido algo singelo e sem importância, essa ação pode gerar o mesmo sentimento no outro. O grande problema é que temos nos deparado como cônjuges totalmente incessíveis nas relações conjugais. Tamanha inacessibilidade gera desconfortos em pessoas que se esforçam para promover o melhor para a pessoa amada e não recebe ao menos um sorriso de gratidão.
Em quarto lugar, pessoas gratas são mais felizes – Não conseguimos conceber o fato de que pessoas ingratas são totalmente felizes. A gratidão produz satisfação na alma. Cremos que por isso o apóstolo Paulo era profundamente grato a todos que contribuíam de alguma forma para o seu ministério (Rm 16.4). Esse sentimento também deve pautar a nossa vida conjugal. Um coração cheio de gratidão é certamente mais feliz.
Portanto, pare de pensar que tudo que seu cônjuge faz por você não passa de uma mera obrigação. Tudo que fazemos para o bem de nosso cônjuge se constitui também em um ato de renúncia às nossas próprias vontades e desejos a fim de agradar o outro, como vimos claramente no capítulo anterior. Logo, isso exige de nós gratidão mesmo diante dos gestos mais pequenos que por ventura tenham sido realizados em nosso favor. A gratidão deve ser um ato costumeiro dos filhos de Deus.
Ao terminar a leitura deste texto procure seu cônjuge e agradeça por algo que ele tem feito por você. Deus nos ensine a ser gratos.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Série Mudança de Comportamento


O VALOR DA RENÚNCIA NO CASAMENTO
Por: Auricléssio Lima


É comum vermos casais, seja o marido ou a esposa, que pensam que tudo deve girar em torno de si. Mal-acostumados a ter tudo o que sempre quiseram e não serem contrariados, vivem como se não tivessem que mudar algumas de suas práticas e comportamentos quando se casam. Todavia, se você resolveu compartilhar a vida com outra pessoa do sexo oposto, através do matrimônio, deverá incluir o verbo renunciar em seu repertório, ou seja, “abdicar, deixar voluntariamente de possuir algo, de exercer condição ou direito” (AURÉLIO, p. 597).
Não há como falar em uma virtude tão importante como essa sem mencionar Jesus. O próprio Cristo deixou sua glória por amor a nós, (Fl 2.7). Assim, também devemos seguir o exemplo de Cristo nos esvaziando do “eu” e viver em benefício do próximo. Diz a Bíblia Sagrada: “Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”. (Fl 2. 4,5). Tal sentimento foi demonstrado por meio de seu sacrifício em prol da humanidade. Ele não precisava ter feito tamanha ação, mas nos ensinou que a renúncia também faz parte de nossa caminhada cristã.
Nunca vivemos em uma época tão egocêntrica quanto esta, em que cada um atenta para seus próprios interesses, desprezando a condição do seu próximo. O individualismo tem sido marca nessa sociedade e para a maioria das pessoas tornou-se um desafio abdicar de suas próprias vontades, e infelizmente muitos casamentos têm sido marcados por isso.
Não podemos conceber um casamento em que as partes envolvidas não estejam dispostas a renunciar algumas coisas em prol do bem comum. Comumente frases como: “eu não posso fazer isso por você”, “eu não estou disposto a isso”, “eu não quero”, ou mesmo “eu não estou afim” tem revelado a falta de consideração de um cônjuge em relação ao outro. Permita-nos perguntar: Por que temos tanta dificuldade em renunciar nossa vontade em favor da coletividade e do bem familiar? A verdade é que a influência social tem adentrado em nossos lares, nosso ego evoluiu e se transformou em uma barreira tão alta, que não conseguimos enxergar as necessidades daquele (a) que amamos. Esse aspecto egocêntrico tem se enraizado na vida dos cônjuges. Todavia, precisamos rever nossos conceitos e promessas feitas no altar e iniciar um relacionamento pautado no bem do outro. Afinal, Deus instituiu o casamento para que não fossem mais dois, mas uma só carne (Gn 2.24).
Temos um hábito quase que natural e competitivo de sempre querer está certo e isso por vezes acaba afetando o nosso casamento. Abrir mão do “eu estou certo”, pode soar para alguns como derrota, mas, no relacionamento, não existe competição de quem está certo ou errado, renunciar seu direito, pode ser a melhor escolha para evitar conflitos e trazer a paz para a família.
A Bíblia nos dá mais evidências de que o matrimônio deve ser um espaço de renúncia. A primeira delas, direcionada às mulheres, diz que essas devem ser submissas aos maridos, (Ef 5.24). A exegese deste texto bíblico não tem o sentido de humilhação, como alguns chegam a pensar, e até se beneficiam de um falso entendimento, tornando suas esposas semelhantes à serviçais. Paulo utiliza o verbo hypotasso, isto é, “sujeição no sentido de submeter-se voluntariamente em amor”. (ARRINGTON, p.454). Essa submissão envolve respeito, amor honra, lealdade e fidelidade, os mesmos sentimentos requeridos à igreja para com Cristo. Com relação ao marido, esse deve amar a sua própria esposa como Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela (Ef 5.25). Partindo desse princípio, Jesus cumpriu muito bem esse papel, entregou a própria vida por amor de sua noiva, (Jo 3.16).
É importante atentar para um detalhe: a ação de Cristo foi incondicional, ou seja, Ele fez sem estipular condições. Os maridos não podemos pautar nossas ações por meio de condições, devemos agir em busca da felicidade de nosso cônjuge, isso de maneira incondicional. Assim deve ser a postura do esposo para com sua esposa, o bem dela é o bem dele, a alegria dela é a alegria dele. Por mais que para isso, ele tenha que abrir mão de seus direitos e suas vontades com o objetivo de salvar e proteger o bem-estar da esposa.
Percebe-se, portanto, que existe uma relação de renúncia entre Cristo e a Igreja, e o próprio Mestre disse que devemos negar a nós mesmos se quisermos segui-lo (Lc 9.23). Assim como a igreja renuncia aquilo que não agrada seu amado, devemos também renunciar o que não agrada o nosso cônjuge, afim de vivermos felizes. Nossa relação deve envolver os mesmos princípios: renúncia recíproca. Mas, como se estabelece essa relação? Como posso demonstrar essa virtude em meu casamento?
Em primeiro lugar, se importe mais com o seu cônjuge - É fato que para pensar no outro, ele deve ser importante para nós, é exatamente esse sentimento que é gerado quando realizamos atos de renúncia. Nosso cônjuge se sentirá valorizado, porque deixamos de fazer algo que queríamos em virtude da vontade dele. Se não sou capaz de renunciar nenhuma de minhas vontades, como posso dizer que me importo com minha esposa (o)? Alguma vez você já abriu mão de seu direito por que não quis ferir sua esposa (o)? A renúncia só acontece, quando nos importamos mais com o outro do que com nós mesmos.
 Em segundo lugar, comprometa-se mais com seu cônjuge - Eu particularmente gosto dessa palavra, ela indica “compromisso, envolvimento” (AURÉLIO, p. 169). Casamento é isso. Logo, se não estou aberto a abrir mão daquilo que agrada unicamente a mim, não estou completamente envolvido com as necessidades da minha família. O envolvimento é parte fundamental para a felicidade do casal, pois diz respeito à capacidade de compartilhar, quem está envolvido verdadeiramente, compartilha, renuncia, coloca as necessidades do outro à frente das suas.
Em terceiro lugar, sacrifique um pouco suas vontades em prol do seu cônjuge – Não é fácil ceder para que o outro prevaleça, mas o casamento, muitas vezes exige isso de nós. Quem disse que nós sempre estaremos com a razão? Há momentos que é melhor não ter razão, porém desfrutar de perfeita paz em nossa vida conjugal, do que tendo, vivermos como em um campo de batalha. Se você está lidando com uma pessoa difícil seja quem Deus vai usar para promover a paz em seu lar.
Em quarto lugar, aprenda a lidar com a opinião contrária – Essa talvez seja uma das mais difíceis tarefas a se fazer, seja no casamento ou em qualquer outro âmbito de nossa vida. No casamento, quando ambos os cônjuges estão com o sangue à flor da pele, isso parece ser mais difícil ainda. Entretanto, a renúncia nos ensina a lidar com as opiniões contrárias, aprendendo a relevar aquilo que só tende a desconstruir minha relação.
Nas palavras de Josué Gonçalves, “os casais devem saber que Deus os estabeleceu na terra não para viverem para si mesmos, mas para alcançar outras famílias” (p.83). Quando exercitamos o verbo renunciar estamos gerando exemplo para outros, estamos praticando o amor ao próximo. O Casal que vive um para o outro será um casal exemplar para anunciar a palavra de Deus.
Já a incapacidade de praticar atos de renúncias indica acima de tudo um amor egoísta e mesquinho. No entanto, quando abrimos mãos de nosso egoísmo, cumprimos o bem da coletividade e alcançamos a felicidade da família.



Bibliografia

CHAVE, Bíblia de estudo palavra, Hebraico e Grego. 2ª ed.; 2ª reimpr. Rio de Janeiro: CPAD, 2011. Texto Bíblico: Almeida Revista e Corrigida, 4ª Edição, 2009 – Sociedade Bíblica do Brasil

PENTECOSTAL, Comentário Bíblico. Novo Testamento. Vol. 02, Romanos- Apocalipse. Editora CPAD, 2012.
         
DICIONARIO DA BILBIA DE ALMEIDA, Werner Kaschel Zimmer,2ª Edição Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005.

GONÇALVES, Josué. Casamento é uma viagem: 12 regras para sua viagem dar certo. Editora: Mensagem Para Todos, 2015.

NOGUEIRA, Makeliny Oliveira Gomes, Daniela Leal. Teorias da aprendizagem: um encontro entre os pensamentos filosóficos, pedagógicos e psicológicos. Curitiba, Editora Interesaberes, 2013. – (Série Construção Histórica da Educação)