quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Série Mudança de Comportamento


O VALOR DA COMPREENSÃO NO CASAMENTO
Por: Auricléssio Lima 

Temos comentado ao longo desses estudos algumas virtudes essenciais para o bom convívio no relacionamento conjugal. Se você prestou bastante atenção, percebeu que a palavra valor tem sido frisada no decorrer de nossos temas. Isso acontece porque essa palavra nos remete a pensar em algo de estimada importância, por isso, seu sentido indica “valia, preço, legitimidade” (AURÉLIO, p. 701). É exatamente esse significado que é preciso atribuir, tanto para as virtudes outrora citadas, quanto a esta que estamos pondo em destaque: a compreensão. Atribuir valor a essas virtudes é colocá-las em prática, é acreditar que elas podem produzir resultados satisfatórios não só para nós quanto para aqueles que nos cercam.
Não seria nenhum exagero dizermos que a compreensão chega a ser um dos pilares que sustentam o casamento, pois ela é a porta de entrada para uma comunicação saudável e eficaz. Não havendo compreensão entre o casal, consequentemente haverá desentendimentos e conflitos.
Diante disso, permita-nos perguntar: O que você pensa sobre a compreensão? Você se sente compreendido? Consegue compreender bem os anseios de seu cônjuge? Você sabe realmente o que é compreender?
Uma das definições que nos chama a atenção em relação ao termo é “conhecer a intenção, lat. comprehendere”, (FIGUEIREDO, p. 516). Foi exatamente isso que Davi fez perante ao Senhor, ele pediu para que Deus sondasse seus pensamentos e intenções do coração, (Sl 139.23). Em outras palavras, Davi estava declarando que Deus o compreendia em sua totalidade, desde seus hábitos até as mais íntimas intenções. Nos utilizando dessa exposição do salmista, podemos associar que compreender nosso cônjuge diz respeito a saber qual a intenção de suas ações, as razões pelas quais ele fez ou deixou de fazer algo, reconhecer as necessidades emocionais, físicas e psicológicas, discernir e não deduzir o que torna feliz a pessoa que amamos.
Quando Davi diz que Deus o “conhece”, está assegurando que o Senhor “observava, cuidava, e reconhecia” seu servo, (STRONG, p.1674). O mesmo se aplica a nós. Se afirmamos que compreendemos a pessoa com a qual nos casamos, estamos dizendo que a conhecemos muito bem, que temos zelo para com ela e sabemos reconhecer exatamente as oscilações de sua personalidade. Essa era a relação de compreensão vista entre Deus e seu servo Davi.
Infelizmente a incompreensão tem marcado casais que veem seus casamentos se tornarem raquíticos, infelizes e sem vigor. Não bastasse isso, tem provocado também feridas e levado alguns a optarem pelo divórcio. Quando o marido ou a esposa age de maneira incompreensiva, não se importando com o outro, passa a provocar danos muitas vezes irreversíveis.  
Na maioria dos casos, quem não compreende, geralmente não percebe sua falha. Só sente quem está sendo vitimado pela incompreensão e todas as vezes que expõe o que sente não é compreendido. Na verdade, a compreensão é uma via de mão dupla. Se você não se colocar no lugar do outro para perceber suas aflições, jamais o compreenderá. Como, então, você deve agir a fim de se tornar um cônjuge mais compressivo e mudar suas atitudes em relação ao outro? É o que veremos nas linhas a seguir:
Primeiramente, a compreensão não envolve deduções. Quem realmente compreende, não realiza deduções, não chega com palavras ásperas já ofendendo o parceiro e suscitando a ira, (Pv 15.01). Segundo o dicionário Aurélio, “a compreensão também envolve inteligência”, (p.169). Quem julga sem compreender, não age com inteligência, mas sim com instinto, assemelhando-se aos animais irracionais. Não sei se você já vivenciou uma situação, em que alguém lhe julgou erroneamente, realizou deduções do que haveria acontecido antes mesmo de se apropriar dos fatos. Certamente, uma ação desse nível representa uma completa imaturidade. Não façamos isso!
Segundo, a compreensão envolve entendimento. Não há como compreender se não houver um bom entendimento. O entendimento é a base essencial para a compreensão. Entender é apropriar-se dos fatos, já compreender é atribuir uma interpretação aos mesmos. É mais do que obrigatório conhecermos qual o tipo de temperamento, entender as fragilidades, as necessidades e as dificuldades do outro. Se não soubermos essas coisas, como seremos capazes de compreender nosso cônjuge em um momento de desabafo ou mesmo uma atitude que seja contrária à nossa vontade? De que maneira iremos compreender as tristezas, as angústias, as decepções se não entendermos os desafios e as problemáticas na vida de nosso cônjuge? Há muitas pessoas que pelo fato de não ter a menor ideia do que está vivendo seu parceiro, erram em suas interpretações, que por sua vez, acabam gerando mágoas. Saiba exatamente quem é seu parceiro, procure entender o que ele está vivenciando, quais as dificuldades, e ajude a lidar com isso. Compreenda a situação e tenha ações efetivas para   o crescimento e não a destruição.
Terceiro, a compreensão envolve um julgamento correto. Cristo em seu sermão do monte, nos ensinou que não devemos julgar erroneamente o próximo. (Mt 7.3,4). De acordo com o comentário bíblico pentecostal, Jesus não está proibindo o julgamento, mas que esse “seja feito com valor, que o certo e o errado sejam identificados e que o digno e o indigno sejam discernidos. O discípulo deve ver a falta no irmão de forma que tal pessoa seja trazida a uma correção gentil e firme” (ARRINGTON, p.59).
Assim devemos proceder, não podemos julgar nosso cônjuge nos eximindo de qualquer falha, precisamos também nos avaliar, é preciso analisar quais pontos precisamos melhorar, para depois exigir mudança de nossa parceira (o). Mas, ao contrário do que Cristo ensinou, há muitos esposos e esposas com a trave em seus olhos e mesmo assim falando do argueiro no olho do cônjuge. Analise seu comportamento e veja como tem reagido às atitudes do outro, abra os olhos para as possíveis mudanças de sua parte.
Quarto, a compreensão envolve altruísmo. Conforme o comentário exposto acima, entendemos que a compreensão exige um julgamento prévio e correto para depois compreendermos os fatos de maneira justa. Para isso, é preciso haver um sentimento altruísta neste processo de compreensão, ou seja, antes de qualquer opinião firmada, nos coloquemos na posição do outro. Essa ação é necessária para não sermos falhos em realmente entender a situação; com esse sentimento altruísta estaremos olhando todos lados possíveis da situação.
 Entendamos que nem sempre as coisas são como parecem ser.  Quando adquirirmos um sentimento altruísta, seremos perceptivos em entender os sentimentos presentes em nosso cônjuge. A compreensão deve ser recíproca, para isso ambos os cônjuges devem agir com altruísmo. Uma boa compreensão envolve saber as duas faces da moeda, de outra forma ela será injusta.
Em quinto lugar, a compreensão fortalece a relação.  A compreensão tem o forte poder de fortalecer a relação. Imagine quão agradável é, quando ao chegar em sua casa, cansado (a) após um longo e estressante dia de trabalho, a primeira coisa que seu cônjuge diz é “meu bem, descansa que eu preparo uma boa e saborosa refeição”. Explicitamente, o ato de seu (sua) parceiro (a), representa uma compreensão do seu estado de cansado após um dia exaustivo e por meio desta ação amplia e fortalece o vínculo entre vocês. Entretanto, se ao invés dessa postura, seu cônjuge faz exigências, mesmo sabendo do dia estressante que você teve, estando ele mais descansado que você, fragiliza a relação e causa transtornos que tendem a se acumular ao longo da vida a dois.
Fortaleça seu casamento praticando a compreensão em seu dia a dia. Compreender também é uma maneira de abrir portas para também ser compreendido. Que Deus nos ensine a cada dia a olhar para o nosso cônjuge com um olhar compreensivo e amoroso.

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