O
VALOR DA GRATIDÃO NO CASAMENTO
Por: Edeilson Santos
Acreditamos que a gratidão é um dos mais
belos sentimentos que uma pessoa pode externar em relação à outra. Para sermos
sinceros, todos temos uma certa ojeriza a pessoas ingratas. Você pode até não
se dar conta das ingratidões que comete, mas jamais deixa passar quando alguém
não lhe é grato por um ato de serviço que lhe fez. Diga-se de passagem, que as
nossas relações, querendo ou não, são em parte sustentadas por esse sentimento.
Isso acontece não só em relação a Deus – e nós não somos tão gratos quanto
deveríamos ser, haja vista, o mero fato de respirar que ele nos proporciona –
mas também em relação àqueles que estão a nossa volta.
Ser grato, como ressaltam os dicionários,
é ser agradecido e remete-se ao termo gratidão, que por sua vez denota
“reconhecimento por benefício recebido; qualidade daquele que é grato” (LUFT,
1998). Trata-se de uma virtude indispensável a todos os seres humanos.
Biblicamente, é bom ressaltar que na
maioria das vezes em que se utiliza o termo gratidão ele está relacionado a
Deus, como vemos nas referências a seguir (Lc 18.11; Jo 11.41; At 28.15; Rm
7.25). No entanto, Paulo é um dos escritores usados por Deus para nos ensinar a
ser agradecidos também aos outros seres humanos (Cl 3.15), nos mostrando o
quanto o nosso relacionamento com os irmãos - pois falava aos irmãos em
Colossos sobre o vínculo fraternal – deve ser pautado também pelo sentimento de
gratidão. O apóstolo, por sua vez, já carregava esse sentimento consigo, na
epístola aos Romanos agradece aos seus amigos Priscila e Áquila por cooperar
com o seu ministério: “saudai a Priscila
e a Áquila, meus cooperados em Cristo Jesus, os quais pela minha vida expuseram
a sua cabeça; o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos
gentios” (Rm 16.3,4). Tamanho sentimento tornava essa amizade cada vez mais
forte.
Semelhante a isso o casamento também deve
ser um espaço de gratidão, aliás os cônjuges estão incumbidos de repassar essa
virtude aos filhos, que por sua vez, conviverão em sociedade e precisarão
desenvolver esse aspecto no cotidiano. Porém, nem sempre essa virtude é
trabalhada nos relacionamentos. Alguns casais, quando casam, têm a falsa ideia
de que seu cônjuge tem a obrigação de fazer o que desejam, por isso, não tem o
bom costume de agradecer pelos atos do outro. No entanto, ao longo dos anos
essas atitudes acabam tomando dimensões cada vez maiores.
Atos simples de gratidão podem se
transformar em grandes resultados no coração de quem recebe. Por exemplo: a
esposa que agradece ao esposo no dia dos pais pelo pai que ele tem se mostrado
ao longo dos anos, pode até parecer pequeno, por se tratar de um dever dele em
relação aos seus filhos, mas aos ouvidos de que recebe pode ser melhor de que
qualquer presente. O mesmo acontece em relação a esposa. As mulheres são
profundamente motivadas pelo que ouvem e, neste caso, a gratidão acompanhada de
um presente, pode ser um belo exemplo motivacional.
É preciso destacar que pessoas ingratas
geram, consequentemente, pessoas também ingratas, e como disse no início desse
texto, nós somos muito tendenciosos à ingratidão, mas não toleramos quando os
outros não reconhecem o nosso esforço e trabalho em prol deles.
É bom frisar que se por um lado a gratidão
opera em nós grandes bênçãos, por outro lado a ingratidão traz prejuízos
horríveis à alma do homem ou da mulher. Quantos casais vivem amargurados e
infelizes por causa da falta de gratidão dentro de casa. Ele sofre e se tornou
alguém sem nenhuma sensibilidade porque tudo que fez em prol de sua família não
teve o devido reconhecimento. Da mesma forma, ela vive amargurada porque se
esforça de todas as maneiras para oferecer ao esposo e filhos o melhor e nem
sequer é lembrada em datas especiais. E assim, centenas de casamentos vivem de
fachada, ou “aos trancos e barrancos”. A ignorância está à flor da pele, ambos
não precisam de muitas provocações para lançar em rosto toda a insatisfação que
sentem por não verem nenhuma manifestação de gratidão pelo que fazem. A
ingratidão causa raízes de amargura no coração, tanto do que faz e não é
reconhecido, quanto do ingrato que torna seu coração cada vez mais insensível
aos atos bons que lhe fazem.
No entanto, não podemos fugir a um aspecto
importante que nos rege ao longo destes estudos que estamos fazendo: mudança.
Se você não encarar a falta de gratidão como um entrave para o seu
relacionamento e a partir disso não decidir mudar seu comportamento com vistas
a se transformar em uma pessoa melhor, de nada adiantará.
Ser grato no casamento revela algumas
características e mudanças de comportamento que acarretarão em um grande
esforço para você, mas que são inteiramente importantes. Então vamos a elas:
Em
primeiro lugar, seja grato pelas pequenas coisas – Há pequenos
gestos que são frutos de muito carinho. Você já experimentou agradecer seu
cônjuge por aquela comida feita com carinho e que era desejada já há alguns
dias? Temos a tendência a ser ingratos com as pessoas pensando que elas têm a obrigação
de fazer qualquer coisa para nos agradar, no entanto, pequenos gestos sempre
são resultados também de muito amor. Um simples favor merece também um
obrigado.
Em
segundo lugar, gratidão também se demonstra – Não basta ser grato
no coração, é preciso também demonstrar essa gratidão. Lembro-me de um texto
bíblico que narra a cura de dez leprosos que rogaram a Jesus que os curasse (Lc
17.13). A Bíblia diz todos os dez receberam a cura (Lc 17.14), mas apenas um
quando notou que estava limpou voltou glorificando a Deus em alta voz e caiu
aos pés de Jesus grato pelo milagre. Sua gratidão lhe gerou salvação em Cristo
Jesus (Lc 17.19). Muitos cônjuges sofrem pela falta de gratidão do outro. Às
vezes não se trata de não ser grato, mas da falta de demonstração dessa
gratidão. O mais interessante é que geralmente essas pessoas demonstram
gratidão em relação a outras pessoas, mas em casa não o fazem. Deus, todavia,
deseja que sejamos gratos às pessoas pelo que nos fazem.
Em
terceiro lugar, gratidão gera gratidão – A gratidão tem o poder de gerar
gratidão nos outros. Quando nos manifestamos para agradecer o outro por algo
que fez voluntariamente, por mais que tenha sido algo singelo e sem
importância, essa ação pode gerar o mesmo sentimento no outro. O grande
problema é que temos nos deparado como cônjuges totalmente incessíveis nas
relações conjugais. Tamanha inacessibilidade gera desconfortos em pessoas que
se esforçam para promover o melhor para a pessoa amada e não recebe ao menos um
sorriso de gratidão.
Em
quarto lugar, pessoas gratas são mais felizes – Não conseguimos
conceber o fato de que pessoas ingratas são totalmente felizes. A gratidão
produz satisfação na alma. Cremos que por isso o apóstolo Paulo era
profundamente grato a todos que contribuíam de alguma forma para o seu
ministério (Rm 16.4). Esse sentimento também deve pautar a nossa vida conjugal.
Um coração cheio de gratidão é certamente mais feliz.
Portanto, pare de pensar que tudo que seu
cônjuge faz por você não passa de uma mera obrigação. Tudo que fazemos para o
bem de nosso cônjuge se constitui também em um ato de renúncia às nossas
próprias vontades e desejos a fim de agradar o outro, como vimos claramente no
capítulo anterior. Logo, isso exige de nós gratidão mesmo diante dos gestos
mais pequenos que por ventura tenham sido realizados em nosso favor. A gratidão
deve ser um ato costumeiro dos filhos de Deus.
Ao terminar a leitura deste texto procure
seu cônjuge e agradeça por algo que ele tem feito por você. Deus nos ensine a
ser gratos.

Maravilha. .precisamos colocar em prática. ..em benefício de nosso casamento
ResponderEliminarMuito bom meu amigo.
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