O VALOR DAS PALAVRAS NO CASAMENTO
Por: Edeilson Santos
As palavras têm um poder, tanto para
edificação e motivação quanto para a destruição. No mundo em que vivemos,
rodeados de pessoas extremamente emocionais, tudo que você diz ou disser “pode ser
usados contra você no tribunal”. Brincadeiras à parte, as palavras ditas na
hora certa podem ser muito edificantes para a vida de quem as ouve, por outro
lado, quando ditas na hora errada, podem produzir sentimentos, muitas vezes,
difíceis de serem contornados ou interpretados.
Isso acontece porque nossas relações são
baseadas em grande parte naquilo que ouvimos. Ninguém, por exemplo, gosta de
estar perto de outro que só lhe dirige palavras agressivas e que lhe
desestimulam. Essas palavras são como uma flecha venenosa que vai corroendo e
causando doenças na alma daquelas pessoas que ouvem.
A Bíblia nos ensina que “a morte e a vida estão no poder da língua;
e aquele que a ama comerá do seu fruto” (Pv 18.21), o que significa dizer
que ela pode ser usada tanto para o bem como para o mal.
Tiago, o irmão de Jesus, parece
parafrasear as palavras do sábio quando escreveu sobre o tropeço na palavra,
ressaltando o quanto a língua deve ser controlada por causa, justamente, do seu
poder de bendizer, mas quando usada de maneira errada, de amaldiçoar (Tg 3.9).
Ele ressalta que “assim também a língua é
um pequeno membro e gloria-se de grandes coisas” (Tg 3.5 a). Desta maneira,
a língua pode, segundo nos descreve o apóstolo, provocar tanto bênçãos como
maldições (Tg 3.10), pode ser tanto manancial de águas doces como de águas
amargas (Tg 3.12). Todavia, ela precisa ser dominada, para não ferir aos que
estão perto de nós, provocando até mesmo a morte emocional e espiritual deles.
É importante frisar o fato de que não
estamos falando de não emitir a sua opinião sobre as coisas, mas sobre como nós
falamos e o que falamos às pessoas que estão a nossa volta. Pois, a maneira
como falamos, se agressivamente, se na hora errada, se com tom irônico ou
provocador, podem influenciar diretamente na vida daqueles que nos ouvem.
Muitas vezes, por causa de um momento inadequado para falar algo a alguém,
provocamos danos grandiosos. Por outro lado, a Bíblia diz que “como maças de ouro em salvas de prata,
assim é a palavra dita ao seu tempo” (Pv 25.11), ou seja, quando a
repreensão vem na hora certa e não em meio à euforia de uma discussão, provoca
harmonia e refrigério (Pv 25.12,13) em vez de provocar a ira.
No entanto, inúmeros casamentos passam por
momentos de turbulências por falta de sabedoria no falar. As palavras, sejam
elas escritas ou faladas, expressam aquilo que nós sentimos, por isso, a Bíblia
diz que a boca fala do que há em abundância no coração (Mt 12.34). Sabendo
disso, o que você diz ao seu cônjuge pode enfraquecer ou fortalecer o seu
relacionamento.
O
poder destrutivo das palavras
Em minha opinião, as palavras destrutivas
(entenda por palavras destrutivas as de baixo calão, pejorativas, críticas
grosseiras, etc.) têm o mesmo peso de um soco na cara, com uma diferença muito
acentuada de que as consequências do soco podem desaparecer em questão de dias,
porém as das palavras podem perdurar por muitos anos, caso não sejam perdoadas.
Conheço cônjuges que convivem com a mágoa
de coisas que ouviram a muitos anos e que são apenas reforçadas negativamente
quando ouvem mais palavras destrutivas. Para algumas pessoas, as palavras desse
tipo parecem fluir naturalmente, não se dando conta dos males que provocam ao
dizer o que pensam, e nem mesmo reconhecem seus erros quando percebem o quanto
são destrutivos.
Lembro-me de um congresso em que participei
ministrando junto com o pastor Elias Rocha. O tema da festa era bem sugestivo
para o que vou lhe exemplificar aqui, “perdoando para ser perdoado”, que está baseado
no texto de Mateus 6.14. Pois bem, na manhã de domingo, em que o pastor citado
ministrava o estudo bíblico sobre perdão, Deus nos envolveu com uma graça tão
grande que não havia ninguém ali que não sentisse aquele trabalhar do Espírito
Santo de Deus. Então, uma mulher liberou o perdão ao marido por algo que ele
lhe havia dito há muitos anos. Meu Deus! Fora algo tão libertador que ela
recebeu renovo, e ele, a cura de uma dor nas costas que lhe impedia de dormir
em sua própria cama.
Agora pense comigo na frustração emocional
de um cônjuge que tudo que ouve é “você não presta para nada”, “você está
feia”, “você é muito burro”, sem mencionar aqui outros termos pejorativos que
denigrem a imagem do cônjuge, além das ofensas com palavras de baixo calão.
Imagine como essa pessoa se sente por ouvir isso de alguém a quem escolheu para
viver o resto de sua vida.
Não é à toa que convivemos com pessoas
frustradas em nossa sociedade. Sem falar das que vivem com uma mágoa no coração
durante muito tempo. São pessoas que beiram a depressão, pois já não sentem
nenhuma vontade de se arrumar ou mesmo de viver. Tudo por conta de palavras que
destruíram o seu emocional.
O
poder construtivo das palavras
Se por um lado as palavras têm o poder de
causar destruição, por outro, podem construir relacionamentos saudáveis,
felizes e duradouros. Não há nada melhor do que ouvir da pessoa a quem você ama
palavras inspiradoras, motivacionais e que provocam e despertam amor e
admiração. Por isso, quero ressaltar a partir desse momento, algumas palavras
que acabam caindo no esquecimento à medida que os anos vão se passando, mas que
soam como melodia aos ouvidos de seu cônjuge. Chapman (2006), chama o que trataremos
aqui de “palavras de afirmação” e ressalta que “o objetivo do amor não é obter
o que se quer, mas fazer algo pelo bem-estar daquele que se ama. É verdade,
porém, que ao ouvirmos elogios, palavras de afirmação, nós nos tornamos mais
motivados a sermos recíprocos e fazer algo que o nosso cônjuge deseje” (p.46).
O valor do “como você está? ” – Como é bom quando percebemos que somos
importantes para as pessoas que estão à nossa volta e que elas se preocupam
conosco. Ao longo dos anos de casados somos tendenciosos a não emitir mais
nenhuma palavra de preocupação com o nosso cônjuge como se o simples fato de
dormir na mesma cama e estar debaixo do mesmo teto já nos permitisse sabermos
do estado das pessoas sem que, pelo menos, perguntasse. Saber como seu cônjuge
está é mostrar-se preocupado e pronto para ajudar no que for preciso.
O valor do “me desculpa” – Noutro texto,
falaremos sobre o perdão, pois entendo ser um assunto muito importante e
relevante para a vida dos casais, mas compreendo o quanto é confortante para um
cônjuge saber que o outro reconhece que falhou e pede desculpas. Embora isso
pareça simples, para muitas pessoas, estas duas palavrinhas parecem não fazer
parte de seu vocábulo de palavras. Machucam o cônjuge e não reconhecem que o
fizeram, jogando a responsabilidade para o tempo restabelecer o que as palavras
fragilizaram.
O valor dos elogios – Não frisei nenhum
em particular, pois sei o quanto o elogio, seja ele qual for, é gostoso de se
ouvir. Já parou para pensar que talvez seu cônjuge esteja ansioso para ouvir
“esta comida está maravilhosa, meu amor”, ou “você está linda”. Não se engane:
homens também gostam de ser elogiados por suas esposas. Palavras como “você é o
homem da minha vida”, ou “você está bonito”, deixam-nos com o ego acima da
média. Fato é que a correria do dia a dia, não podem nos impedir de elogiar
sempre o nosso cônjuge.
O valor do “eu te amo” – Quantas vezes esta
semana, você já disse para o seu cônjuge que o amava? Você costuma ouvir muito
essa frase no seu dia a dia? Não?! Então prepare-se para mudar de atitude a
partir de hoje, se realmente deseja ter um casamento melhor, mais duradouro e
pleno de felicidade.
Uma das coisas que precisa mudar em muitos
relacionamentos conjugais é a falta de carinho. Com o passar do tempo, a falta
desse elemento tão importante parece se tornar comum para os cônjuges. E, o que
vai se desencadeando em uma grande crise no casamento, pode ter sua origem
exatamente na falta de carinho por uma parte ou ambas, no cultivo de um
relacionamento saudável na presença de Deus.
Digamos que o carinho é tão salutar para o
casamento como o respirar é para vida. Não fosse assim, você talvez nem teria
sentido algum tipo de atração pela pessoa que hoje está ao seu lado. Ou você
vai me dizer que o que lhe chamou a atenção nele (a) foi exatamente o modo
grosseiro que lhe tratou a primeira vez que se viram? É evidente que não! As
pessoas são atraídas pelo modo como as outras as tratam. É claro que não entram
nesse mérito os que têm o interesse financeiro como único combustível, todavia
esses também ora ou outra sentirão falta desse importante elemento na vida
conjugal.
Você deve saber muito bem que atos de
carinho são resultados de uma prática cotidiana - que na verdade quero trazer
aqui como “cultura”- que implantamos em nossa vida diária e em nossos
relacionamentos. Logo, em muitos relacionamentos está faltando a cultura do “eu
te amo”.
Muitos casais, com o passar do tempo,
acabam perdendo os bons hábitos de carinho e cumplicidade. Muitas são as
possíveis razões para isso, podem argumentar os que já vivem um comodismo na
vida de casado. Na verdade, nossas razões são puramente egoístas mesmo,
simplesmente não nos preocupamos com o bem-estar emocional daquele (a) que está
ao nosso lado. Até porque quando namorávamos o cansaço não era razão para não
visitarmos a namorada (o), bem como para oferecer àquele (a) algo bom e
agradável.
O que deve ser bem esclarecido aqui é que
as palavras boas como o “eu te amo” devem se tornar uma cultura em nosso
casamento. Todos nós somos emocionais por natureza e ouvir frases como essas
estimulam as nossas boas emoções nos tornando pessoas mais produtivas e
recíprocas. Aproveite esse dia para dizer “EU TE AMO” para quem você ama.
Gerando
vida pelas palavras
Está na hora de provocamos mais o
crescimento das pessoas em detrimento da destruição. Às vezes, por uma simples
falta de conhecimento dessas verdades, acabamos ferindo as pessoas à nossa
volta pelo simples fato de não sermos prudentes em nossas palavras. Pessoas
assim, precisam saber o quanto matam outras pessoas por meio das palavras. Em
vez disso, você precisa cultivar a boa prática de dizer palavras de vida não só
para os que estão à sua volta, mas principalmente para o seu cônjuge. Por isso,
permita-nos lhe dá algumas recomendações e não nos tome por chatos se voltarmos
lá no primeiro ano, quando a tia ensinava as palavrinhas mágicas, é que
simplesmente, no casamento, parece que nos esquecemos delas.
Em
primeiro lugar, cultive as palavrinhas mágicas sempre que necessário – Alguns cônjuges
têm a falsa concepção de que ser educado (a) só vale da porta de casa para
fora. Ledo engano. Não é porque você dormiu a noite inteira com o seu cônjuge
que não deva lhe saudar com um “bom dia”. Da mesma maneira, não é pelo fato de
seu cônjuge lhe fazer um favor que não mereça receber um bonito e sonoro
“obrigado”. Se voltou a noite do trabalho e quando saiu ela estava dormindo, um
“boa noite” e “tudo bem com você? ” fazem muita diferença e demonstram o quanto
se importa com a pessoa amada. Assim, existem muitas palavras inteiramente
necessárias à convivência a dois que simplesmente por falta de cultivo são extintas
do casamento.
Em
segundo lugar, evite desabafos no calor das discussões – Se você tem algum
desconforto em relação a algo que acontece em seu casamento, significa que
ambos precisam conversar sobre isso e o calor de uma discussão não é a melhor
hora para fazê-lo. Com o sangue à flor da pele, somos tendenciosos a falar o
que vem à cabeça sem ao menos avaliar o peso de nossas palavras. Nessas horas acabamos
proferindo palavras destrutivas. Por isso, procure conversar civilizadamente,
pois uma boa comunicação é a melhor maneira de resolver as coisas sem causar
danos emocionais.
Em
terceiro lugar, evite termos pejorativos – Acredito que ninguém gosta de ser
chamado por um termo que exprime algo desagradável. Palavras como “cachorro”,
“vaca”, “égua”, “jumento”, bem como outros que não são permitidos aqui, não
podem ser cultivados em sua relação, isso torna-se uma grande falta de respeito
e, consequentemente, abalará o amor entre os dois.
Em
quarto lugar, profira muitas palavras construtivas – Faça de seu
casamento um ambiente em que todos possam se sentir bem e motivados. E que
sempre haja uma palavra boa e que produza a vida. Use e abuse dos elogios, das
palavras de incentivo, dos bons conselhos, etc. Um lar rico em palavras de
vida, produzirá casais mais forte, alegres, motivados e, acima de tudo, pais
amorosos.