terça-feira, 17 de setembro de 2019

SAINDO DA ZONA DE CONFORTO - O CULTO DOMÉSTICO


Nos acostumamos muito fácil ao conforto. Quem não quer chegar em casa e deitar na cama e simplesmente ver o tempo passar enquanto se deleita nas redes sociais postando fatos engraçados, reflexões ou apenas olhando o que os outros postam? Nosso corpo pede cama ou sofá e simplesmente nos acomodamos a isso como se não precisássemos fazer alguma coisa dentro de casa.
Não obstante, também fazemos isso com a nossa vida espiritual diariamente. Nossa mente está cansada demais para uma leitura bíblica, uma oração ou um devocional a Deus, mesmo que em poucos minutos, porém não nos cansamos quando o assunto é lazer ou redes sociais.
Há uma inversão tão grande de valores em nossos dias que trocamos momentos reais pelos virtuais. Para muitos familiares é melhor está “on-line” vendo a vida dos outros, ou mesmo conversando com pessoas de outro contexto, do que está “off-line” conversando com pessoas próximas, trocando ideias e, acima de tudo, estabelecendo vínculos. Mas sabe porque não fazemos isso? Porque simplesmente não queremos sair da nossa zona de conforto.
Sair da zona de conforto é difícil, mas é possível. E não pense você que o simples fato de fazer algo uma única vez já lhe dará respaldo suficiente para pensar que venceu antigos hábitos. Se hoje você enfrenta uma profunda resistência em mudar de hábitos, é porque um dia você precisou repetir isso por muitas e muitas vezes.
Com o culto doméstico também é assim. Os primeiros serão difíceis, principalmente para aqueles que não estavam habituados a momentos de devocional com Deus, ou seja, estavam acostumados demais aos cultos apenas na igreja e pensavam que vida com Deus acontecesse apenas nestas poucas horas que dedicamos ao Senhor no templo.
Por isso, é inteiramente importante não desistir. No início seu cônjuge não achará muito bom, seus filhos se sentirão incomodados, desconfortáveis e há os que não verão a hora de tudo acabar. Por isso, é importante que o culto doméstico não tente ser uma reprodução nos mesmos moldes do que acontece na Igreja. Quem está à frente precisa não só se preparar, como também avaliar atentamente o que pode ser alterado a fim de que não se torne algo monótono e cansativo.
Tudo não passa de um momento de abstinência do fazer nada e como nós gostamos desses momentos, de tal maneira que nos habituamos facilmente a eles. Mas é preciso sair de nossa zona de conforto. O que nos causa desconforto agora se tornará um hábito mais à frente.
Que Deus continue nos ajudando!


sexta-feira, 2 de agosto de 2019

AS APARÊNCIAS ENGANAM


Como vai o seu casamento? 
Esta é uma questão que envolve muitas outras questões. Trabalho com famílias e casais há aproximadamente sete anos e sei o quanto as pessoas se escondem por trás de aparências. Na verdade, parece que muitos casais estão mais preocupados em manter um padrão para sociedade do que encarar a realidade de que é importante mudar atitudes, enfrentar desafios e romper as barreiras que distanciam os cônjuges da verdadeira felicidade.
No entanto, enquanto nós nos preocupamos mais com o que os outros pensam de nós e tentamos mostrar que está tudo bem, nosso casamento simplesmente vai se esvaindo e minguando até o dia que, infelizmente, não consegue mais suportar.
Nesta hora, tudo que a gente de fato deseja é ter alguém que no ajude sem nos expor e é tão difícil nos nossos dias encontrar pessoas confiáveis e dedicadas que busquem o bem dos casais. Mas elas existem, acredite.
Meu maior objetivo com este texto é estreitar nossa relação. Quero lhe dá suporte em tudo que você precisa para mudar atitudes ou quem sabe apenas melhorá-las a fim de ver seu casamento e família prosperando. Então, vamos dá as mãos e vencermos juntos.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Série Mudança de Comportamento 10/10


O VALOR DO PERDÃO NO CASAMENTO

Por: Edeilson Santos

Este é um tema recorrente. Apesar disso, torna-se extremamente necessário, pois ainda há por parte das pessoas, uma grande resistência ao ato de pedir ou conceder perdão aos que lhes ofenderam. Isso talvez aconteça pela concepção errada que muitos têm dessa virtude. No entanto, o seu valor perpassa as meras concepções e definições, e caminha para a ampliação de uma relação saudável não só com os outros, mas consigo mesmo e com Deus. Sendo assim, o perdão envolve, pelo menos, três âmbitos de nossa vida: social, pessoal e espiritual.
No âmbito social, conviver com os outros nunca foi tão difícil como tem sido nos últimos anos. As pessoas estão mais emocionais e explosivas ao mesmo tempo; magoam-se com coisas muito simples e corriqueiras. Isso, sem falar dos casos de pessoas que lhes resistem sem nenhum argumento plausível, sustentam sentimentos de repúdio baseados apenas na primeira impressão que tiveram de você, logo, tudo que diz passa ser uma afronta contra elas.
Eu me lembro de um caso que aconteceu quando eu ainda era do grupo de jovens da Igreja. Nesta época era envolvido com música e ousava tocar com os colegas do templo central da denominação em que congrego. Um dia, sem procurar, contaram-me que havia um jovem que não gostava de mim simplesmente por não gostar. Na época, indaguei o porquê daquele moço não me suportar sendo que não me conhecia de fato. Só me restou orar a Deus pedindo a sua intervenção, uma vez que não iria lhe procurar para conversar para não causar maiores danos. Pois bem, um dia ele mesmo me procurou e me pediu perdão pelo fato de agir assim sem ao menos me conhecer.
Desta maneira, existem pessoas que simplesmente decidiram não ir com a sua cara apenas pelo seu jeito de ser ou de falar. Fato que contraria a palavra de Deus, esta, por sua vez, nos ensina a seguir a paz com todos (Hb 12.14) e não procurar ocasiões para promover a ausência de harmonia.
No âmbito pessoal, o perdão é a base para a felicidade. Não consigo conceber o fato de alguém que vive com um rancor em relação ao seu irmão desfrutar de perfeita felicidade. A felicidade e a paz ocorrem quando minha alma está limpa de toda e qualquer impureza. A mágoa, assim como o pecado, mancha a nossa alma causando muitos males. Logo, o ato de pedir ou liberar perdão é um bem que fazemos a nós mesmos.
No âmbito espiritual, a Bíblia diz que “se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós” (Mt 6.14). As palavras de Jesus no sermão do monte são claras e refletem como deve ser o nosso relacionamento com Deus: livre de todo pecado e mágoa. Algumas pessoas não tomam essa palavra como uma verdade, pois jugam que o fato de estarem na Igreja, realizarem todas as outras prerrogativas para ser um cristão, já são suficientes para garantia salvação. Ignoram o fato de que estarem magoados com alguém que pode ser o seu próprio cônjuge ou alguém muito próximo pode lhes tirar a salvação.
No entanto, a Bíblia não mente e as palavras de Jesus são categóricas, se não perdoar ao meu irmão que me ofendeu, o meu Deus que está no céu não me perdoará. Isso apenas nos permite entender que a liberação ou não de perdão diretamente a minha relação com o Pai celestial. Mas passemos para a definição do termo e sua aplicação no âmbito conjugal.

O que é perdão?

É necessário, antes de partirmos mais profundamente para o assunto em questão, fazermos algumas observações destacadas pelo escritor Jaime Kemp (2005) em seu livro Perdão – o segredo espiritual para cura da alma. Em seu livro, Kemp toma o caminho inverso a fim de ressaltar melhor o que estamos tratando aqui e, para tanto, traz alguns pontos sobre o que não é o perdão. Vejamos:
Em primeiro lugar, perdão não é esquecer – Engana-se quem pensa que perdoar é apagar totalmente da memória o agravo que seu ofensor lhe fez. Mas, na verdade, nós não somos aparelhos como o computador em que você simplesmente formata e já não tem mais acesso aos arquivos que continham naquela máquina. A mente humana, como algo de Deus, guarda coisas por um longo espaço de tempo, logo, por mais que você queira, há eventos que jamais serão apagados de sua memória.
Em segundo lugar, perdão não é sentimento – Já ouviu alguém dizendo que só vai perdoar quando sentir? Pois é, quando pensamos assim, estamos comparando o perdão a um sentimento, o que de fato não é. Perdão é atitude, é ação, é ordenança de Deus para todos os que andam em seus caminhos.
Em terceiro lugar, perdão não é voltar ao passado – Voltar ao passado é reavivar um sentimento que talvez já estivesse morto. Toda vez que você fizer isso, “estará reabrindo a ferida, impossibilitando a cura” (KEMP, p.22). Além disso, ficar remoendo o passado causa males à própria saúde e, às vezes, enquanto você sofre por algo que lhe fizeram há muito tempo, seu ofensor não está sequer sofrendo por isso.
Em quarto lugar, o perdão não exige mudanças por parte da outra pessoa antes de oferecermos perdão – Temos a tendência a só oferecermos algo se obtivermos também algo em troca. Isso, porém, não pode ocorrer para aquele que precisa perdoar. Afinal, não temos o poder de mudar as pessoas, só há um que pode mudar qualquer ser humano, e este é Jesus. Além disso, “Quando exigimos mudanças na vida de outra pessoa, nos colocamos no papel de juiz” (KEMP, p.23).
Partindo, então, das palavras enriquecedoras do autor supracitado, podemos compreender melhor o significado do termo perdão e de como ele é importante dentro do ambiente conjugal. O perdão é a atitude pela qual a parte ofendida toma a decisão de eximir o ofensor de toda e qualquer culpa pela ofensa causada. Noutras palavras é “tirar os olhos de si mesmo, da sua dor, de sua autocomiseração e ver aquela pessoa em sua miséria e sentimento de culpa” (KEMP, p. 26). Note que não estamos falando de uma tarefa fácil, mas de algo que acima de tudo nos exige renúncias.
A ausência dessa virtude no casamento acarreta sérias consequências na vida a dois. Imagine conviver com uma pessoa que lhe olha diferente por causa de algo que você fez no passado. Pense no fato de que pessoas magoadas têm como primeiro passo se afastar daquele que lhe ofendeu e de todos àqueles que fazem parte do convívio social dele. Geralmente, quando ocorre nos limites do casamento, o cônjuge ofendido tende a conversar pouco, embora aparente estar tudo bem, procura não expor mais suas opiniões como outrora, o sexo passa a ser apenas uma obrigação, etc. Se formos observar, há muitos outros danos que podem ser causados pela falta de perdão e também pela falta de reconhecimento do ofensor dos seus erros.
Um casamento assim, em que não há pedido de perdão e, ao mesmo tempo, um dos cônjuges convive com uma mágoa no coração, tende a viver altos e baixos, pois qualquer palavra do ofensor, por mais simples que seja, aprofundará a ferida na alma do outro.

Como devemos exercer o perdão?

A Bíblia Sagrada nos fornece algumas diretrizes para a execução do perdão não só no âmbito conjugal como também nos demais em que estamos inseridos. Vejamos:
O perdão deve ser exercido com liberalidade (Mt 18.21,22; Lc 17.3,4) – Nestes textos, Pedro indaga Jesus sobre a quantidade de vezes que se devia perdoar a alguém que lhe ofendera e prosseguem perguntando a Jesus se podia ser até sete vezes, ao passo que Cristo lhe responde, dizendo: “Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete”. As palavras de Jesus, às vezes, assustam algumas pessoas por essa quantidade sugerida por Ele. Todavia, não está em questão neste texto o número, mas a liberalidade em perdoar. Somos limitados em muitos aspectos de nossa vida e nem sempre nos propomos a dar uma terceira chance para as pessoas, isto é a prova real do quanto falta em nós a liberalidade de Deus para perdoar.
A liberalidade no perdão é a condição para recebermos o perdão de Deus (Mt 6.14,15) – Nós queremos receber o perdão de Deus, mas não queremos perdoar aquele que nos ofendeu. Todavia, o perdão de Deus para minha vida está condicionado à liberação de perdão para o meu próximo. Jesus nos contou a parábola do credor incompassivo (Mt 18.23-32). Esse devia muito ao rei, e não tendo como pagar seria vendido com sua família para quitar a dívida. A Bíblia diz que ele, prostrando-se diante do rei, reverenciava-o e pedia generosidade para que pudesse lhe pagar depois, ao passo que o rei, movido de íntima compaixão, soltou-o e lhe perdoou a dívida. Pois bem, esse mesmo homem que acabara de ser perdoado por dever dez mil talentos encontrou um conservo que lhe devia cem dinheiros e lançando mão dele o impelia a pagar o que lhe devia, de tal maneira que seu conservo lhe rogava da mesma maneira como ele tinha feito para com o rei. Todavia, o registro bíblico nos mostra que sua ação não foi a mesma do rei, o credor de forma incompassível mandou prendê-lo até que liquidasse a dívida.
Veja quanta falta de gratidão. Nós, às vezes, não liberamos perdão àqueles que nos ofenderam por coisas pequenas, esquecendo-nos totalmente que Jesus padeceu na cruz para que tivéssemos o perdão de Deus e que essa é a condição necessária para que tenhamos sempre o perdão de Deus (Mt 6.12). 
Quem não perdoa abre as portas de seu coração para hospedar sentimentos ruins – É fácil perceber pessoas que por falta de liberação de perdão acabam se afastando do convívio dos santos por estar com o coração cheio de sentimentos ruis. A falta de perdão nos faz ver tudo e todos como entraves à nossa convivência, isso quando não conduz a um sentimento de amargura e a Bíblia diz que a amargura contamina aos outros (Hb 12.15).

Sua casa, um lugar de perdão!

Ao mesmo tempo em que convivemos com pessoas emocionais e também agressivas, como ressaltei no início deste texto, convivemos com seres humanos insensíveis à vontade de Deus, que é claramente demonstrada em sua palavra, para a boa convivência entre seus servos. Isso não é nem um pouco diferente nos casamentos.
À medida que o tempo vai passando as pessoas simplesmente se enrijecem para atitudes e valores que só tendem a beneficiar nossa convivência. Dá o braço a torcer, no bom sentido da frase, não significa fraqueza, pelo contrário, quem se propõe a pedir perdão ou liberar o perdão sem que o outro tivesse tido a iniciativa de pedi-lo, revela a grandeza de caráter e ao mesmo tempo o compromisso individual que se tem com Deus. Por isso, permita-nos dá algumas orientações muitos importantes para que sua casa e seu casamento se torne um lugar de perdão sempre:
Não prolongue o pedido ou a liberação do perdão – Sou totalmente contra o argumento de que o tempo é melhor remédio para estes casos. Quando você prolonga o tempo para pedir ou liberar perdão para quem você ofendeu ou foi ofendido, permite que o inimigo de nossas almas alimente dia após dia o sentimento de rancor no seu coração. Lembra da irmã de quem falei no texto sobre o valor das palavras no casamento? Ela alimentara uma mágoa por quase dez anos e por causa disso, deixara de usufruir da graça de Deus em sua vida. Se você é do tipo que passa dias sem falar com seu cônjuge até que um belo dia decide voltar à boa convivência sem, pelo menos, praticar o perdão, está na hora de rever seus conceitos baseando-os na palavra de Deus (Mt 6.14,15).
Quem ama perdoa – Se você ama de verdade seu cônjuge perdoará. Somente o amor nos permite olhar para a pessoa que nos ofendeu e liberar perdão acreditando em sua mudança. O maior exemplo que temos sobre o amor que perdoa é do próprio Deus. Mesmo conhecendo nossas transgressões e nosso passado de culpa, nos reconciliou consigo mesmo (2Co 5.18,19; Jo 3.16), provando assim o seu grande amor para conosco (Rm 5.8).
Não dê lugar ao diabo (Ef 4.27) – Quando você não perdoa nem pede perdão acaba por dá lugar ao diabo, pois tudo que ele deseja é que nossas relações não sejam saudáveis e duradouras. A falta de perdão leva consequentemente a outros males que vão, dia após dia, enfraquecendo a nossa relação e conduzindo a raízes de amargura. Por isso, a melhor maneira de quebrar este ciclo e não permitir que se complete é liberando perdão àqueles que nos ofenderam.
Perdoe mesmo sem sentir – Lembra de que descremos que o perdão não é sentimento? Pois é, ratificamos isso aqui, lhe dizendo: Perdoe sempre. Quanto ao que você sente, peça a Deus para tratar o seu emocional a fim de sarar toda e qualquer ferida que porventura tenha sido aberta. Deus sabe como cuidar de nós e eliminará de seu coração tudo aquilo que lhe causa dor. O que você não pode é continuar alimentando sentimentos que só tendem a destruir sua alma.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Série Mudança de Comportamento 9/10


O VALOR DA TOLERÂNCIA NO CASAMENTO
Por: Auricléssio Lima



Nossa sociedade está envolta em diversas culturas. No meio dessa multiplicidade cultural, o uso do termo tolerância torna-se cada vez mais necessário. Aliás, nunca se ouviu tanto essa palavra como nos dias atuais.  Vemos a sua aplicação nos mais variados contextos sociais. Para termos uma ideia da difusão da palavra, no famoso site de pesquisas google são apresentados 49 milhões de resultados em português e 153 milhões na língua inglesa - tolerance -. A diversidade cultural em que estamos inseridos, abrangendo aspectos como pensamentos, opções religiosas, raças e outros mais exigem de todos nós, tolerância.
Em virtude dessa vultuosa diferença presente entre os povos, surgem as chamadas violações dos diretos, ou como muitos tem chamado, “intolerância”, há os que simplesmente não concordam com o fato do seu próximo possuir ideias opostas as suas. Essa falta e intolerância foi a causa de muitos desastres mundiais como, por exemplo, o provocado por Hitler, que causou a morte de mais de 6 milhões de judeus simplesmente por acreditar que eles eram uma raça inferior. 
As mídias sociais, atualmente, têm trabalhado o termo com mais veemência, principalmente se referindo a algumas classes minoritárias que exigem seus direitos. No entanto, não é nossa intenção aqui, abranger o termo aludindo aos conflitos sociais.
Nossa abordagem tem por objetivo, refletir sobre como as pessoas têm exigido mais tolerância do seu próximo, nosso foco será direcionado às relações conjugais, uma vez que esta também consiste na convivência de pessoas diferentes. Para tanto, é necessário entendermos mais detalhadamente o significado da palavra em questão.
O termo tolerância “vem do latim tolerare que significa "suportar" ou "aceitar", logo “uma pessoa tolerante normalmente aceita opiniões ou comportamentos diferentes daqueles estabelecidos pelo seu meio social”. Para complementar nosso entendimento o adjetivo “tolerante” é entendido assim: “tolerante adj. Que tolera. Dotado de tolerância. Indulgente. Que desculpa certas faltas ou erros. Que admite ou respeita opiniões contrárias às suas”. (FIGUEIREDO, 1913 p. 2007). Diante das definições supracitadas, alguns sentidos saltam da definição: suportar, aceitar opiniões diferentes das minhas.
Por essas explicações já podemos entender o porquê de tantos conflitos conjugais. O fato de sermos diferentes – e isso é inevitável, pois o casamento é a união de duas pessoas de sexo oposto e de famílias diferentes – gera, às vezes, opiniões e ideias opostas, bem como comportamentos diferentes. Recentemente, ouvi uma senhora se lamentar para outra sobre sua separação do marido, um dos motivos pelos quais havia se separado era o fato de ela ser muito comunicativa e, por isso, ter muitos conhecidos por onde passava. O fato de cumprimentar muitas pessoas incomodava o seu ex-marido, que questionava o fato de ela falar com todo mundo. Falta de tolerância nos faz ver as diferenças como obstáculos, ou mesmo, meios para dificultar a relação.
Paulo escrevendo aos irmãos em Colossos disse: “Suportando-vos e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como o Senhor vos perdoou, assim fazei vós também” (Cl 3.13). O texto indica que o próprio apóstolo tinha consciência da dificuldade em conviver com pessoas. No entanto, se não conseguimos manter uma relação baseada no respeito e aceitação daquilo que é avesso à nossa vontade, seremos pessoas intolerantes, o que acarretará sérios transtornos para as pessoas que estão em nossos laços de relacionamento.
Pessoas intolerantes provocam discussões com facilidades, e por razões insignificantes. A verdade não pode ser negada, alguém que se comporta assim, é uma fonte constante de intrigas. Tudo deve ser exclusivamente de acordo com a sua vontade, se os fatos não são como o esperado por ele (a), não está bom. Ratificando essa afirmativa, observe algumas situações presentes em nosso cotidiano, que evidenciam as marcas de alguém intolerante: Se não estou pronto às 19:00 horas, começam as reclamações; se esqueço minhas chaves, já é motivo de discussão; se peço para mudar de canal; se não estou tão disposta a manter relação sexual, se prefiro ficar a tarde em casa, se gostaria de um ouvir uma música, se gostaria de visitar amigos ou mesmo parentes, se discordo da sua opinião, tudo isso e mais um pouco é sempre contrário à vontade de quem é intolerante. A opção dele (a) sempre será contrária - às vezes, propositalmente. A intolerância também pode ser a ponte para a incompreensão, para ira, para o mau humor, tornando tudo um motivo para conflitos.
Não é fácil conviver com um cônjuge assim. Caso você tenha notado semelhanças em seu comportamento...cuidado! Seu relacionamento pode estar precisando de mudanças de comportamentos. A intolerância pode ser corrigida, o tratamento corretivo começa com ações que favoreçam a harmonia como um bom diálogo apresentando de maneira calma e pacífica sua insatisfação diante da situação. Os males provenientes de um cônjuge intolerante são capazes de chegar até mesmo a uma agressão física. Não aceite um comportamento assim!
Mas, como ser tolerante em meio a tantas situações que são contra a nossa vontade? Tenho que aceitar e ficar calado?  Como dizer que não estou confortável sem ser intolerante? O princípio básico para evitarmos a intolerância parte do reconhecimento das diferenças que há entre nós. Precisamos aceitar nossas desigualdades, e só sabendo disso é que partiremos para a ação chamada de negociação. Sim, isso mesmo! Há situações que precisamos negociar. Dentro do casamento, devemos ser flexíveis, ora respeitaremos a vontade do cônjuge, ora ele deve respeitar a nossa vontade. Nessa perspectiva, é importante ressaltar que não existe casamento conto de fadas, aquele em que você idealiza a pessoa perfeita e acaba por se sentir contrariado por, depois do casamento, não corresponder às suas expectativas. É aí que aprendemos que tem coisas no âmbito conjugal que simplesmente precisamos tolerar a fim de fazermos nosso cônjuge feliz, por mais que nos sintamos contrariados, uma vez ou outra.
 Mas, é bem verdade que há hábitos que precisam ser mudados e outros devem simplesmente ser tolerados. Como, então, identificá-los? Para exemplificar isso, recordo-me de um exemplo que ouvi de que um jovem havia se casado e, antes disso, sua mãe lhe preparava o café todas as manhãs, antes de ir para o trabalho. Quando casou, esperou que sua esposa fizesse o mesmo, no entanto, ela simplesmente não tinha o hábito de acordar tão cedo. Furioso ele procurou o seu pai para se aconselhar dizendo que daquele jeito não dava. Seu pai muito sábio lhe esclareceu que ele não havia se casado com a sua mãe e que a esposa não era obrigada a acordar de madrugada para lhe fazer o café. Esse é um bom exemplo de que há coisas no casamento que devem ser toleradas, afinal, meu cônjuge não é obrigado a se adaptar totalmente a minha maneira de ser.
A mudança só se faz necessária, quando os hábitos afetam diretamente a vida a dois, provocando males ao casamento. Ou seja, é preciso avaliar caso a caso, discernir as diferenças e negociar as vontades de um e de outro, levando sempre em consideração as divergências, sejam elas de pensamento, de atitudes ou culturais, procurando sempre o bem-estar do casal.
Permita-me agora descrever como essa tolerância se constrói dentro do âmbito conjugal.
Primeiro, tolerância é construída pela longanimidade. A longanimidade está diretamente relacionada à tolerância, ela pode ser entendida como a capacidade de “tolerar outras pessoas, mesmo quando for severamente tentado”, uma outra explicação ainda pode ser encontrada, no original, “hypomone”, pode ser literalmente traduzido como “resistir sobre uma carga pesada”, (ARRINGTON, STRONSTAD. 2012, p.375, 378). Está claro, que não há condições de sermos tolerantes sem esse fruto do Espírito Santo. No livro de Efésios Cap. 4 e versículo 2, Paulo nos instrui sobre a importância de termos longanimidade, associando como condição para um viver digno de cristão. Strong explica essa passagem aplicando o fato de “sermos pacientes quando somos atacados, ou quando outras pessoas tornam difíceis nossa vida” (STRONG, 2011, p.2291). Em suma, é necessária longanimidade para sermos tolerantes com as situações e pessoas em nossa volta. A longanimidade nos permite ser racionais diante daquilo que provoca certos desacertos em nosso casamento.
Segundo, a tolerância é construída pelo respeito às diferenças. Como já comentado no decorrer do estudo em questão. A intolerância surge pelo desrespeito as desigualdades, ou seja, quando eu não aceito as opções, as vontades, as escolhas do outro, quando não levo em consideração as explicações e justificativas, faço minhas próprias interpretações.  Ficou esclarecido que o comportamento acima é destrutivo e não agrega em nada à vida conjugal. Respeitar as diferenças existentes em uma relação é extremamente importante, afinal, são duas mentes, duas culturas, frutos de contextos familiares diferentes. É nesse cenário que o respeito deve prevalecer, para o bom equilíbrio da relação. 
Terceiro, a tolerância é construída pela descentralização. Você há de convir que pessoas que se acham o centro das atenções tendem a pensar que o mundo gira em torno de si, e na realidade, os fatos são bem diferentes. Um relacionamento deve ser pautado na descentralização em prol do bem comum, ou seja, aquilo que é proveitoso aos dois e não apenas a um. Se o cônjuge não aceita situações ou comportamentos simplesmente porque ele (a) é contrário à sua vontade, não está visando o bem de todos. A tolerância consiste em abrir os olhos para o bem de quem está ao nosso lado, não posso ser mesquinho ao ponto de exigir que tudo seja conforme o que eu quero ou ao meu bel prazer. Para ser tolerante é preciso descentralizar, ninguém é tão perfeito que tudo só funcione conforme suas regras. Até mesmo o Senhor, único perfeito, nos possibilita fazer nossas escolhas, sem impor sua vontade.
Quarto, a tolerância é construída pelo amor. Não há condições de respeitar e aceitar minha parceira (o) com todas as suas imperfeições se não houver amor. Nas palavras de Paulo, o amor é o elo para conseguir suportar uns aos outros, (Ef 4.2). Se preciso desfrutar de uma relação subordinada à tolerância, devo exercitar a prática do amor, de outra forma, como evidenciaria que amo se não sou capaz de tolerar as características de minha esposa (o) opostas as minhas? O apóstolo Paulo ainda ressalta que “o amor tudo suporta” (1Co 13.7). Não há dúvidas, se amo verdadeiramente, serei tolerante e paciente para aguardar as mudanças necessárias e suportar aquelas que simplesmente não mudarão.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Série Mudança de Comportamento


O VALOR DAS PALAVRAS NO CASAMENTO
Por: Edeilson Santos





As palavras têm um poder, tanto para edificação e motivação quanto para a destruição. No mundo em que vivemos, rodeados de pessoas extremamente emocionais, tudo que você diz ou disser “pode ser usados contra você no tribunal”. Brincadeiras à parte, as palavras ditas na hora certa podem ser muito edificantes para a vida de quem as ouve, por outro lado, quando ditas na hora errada, podem produzir sentimentos, muitas vezes, difíceis de serem contornados ou interpretados.
Isso acontece porque nossas relações são baseadas em grande parte naquilo que ouvimos. Ninguém, por exemplo, gosta de estar perto de outro que só lhe dirige palavras agressivas e que lhe desestimulam. Essas palavras são como uma flecha venenosa que vai corroendo e causando doenças na alma daquelas pessoas que ouvem.
A Bíblia nos ensina que “a morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto” (Pv 18.21), o que significa dizer que ela pode ser usada tanto para o bem como para o mal.
Tiago, o irmão de Jesus, parece parafrasear as palavras do sábio quando escreveu sobre o tropeço na palavra, ressaltando o quanto a língua deve ser controlada por causa, justamente, do seu poder de bendizer, mas quando usada de maneira errada, de amaldiçoar (Tg 3.9). Ele ressalta que “assim também a língua é um pequeno membro e gloria-se de grandes coisas” (Tg 3.5 a). Desta maneira, a língua pode, segundo nos descreve o apóstolo, provocar tanto bênçãos como maldições (Tg 3.10), pode ser tanto manancial de águas doces como de águas amargas (Tg 3.12). Todavia, ela precisa ser dominada, para não ferir aos que estão perto de nós, provocando até mesmo a morte emocional e espiritual deles.
É importante frisar o fato de que não estamos falando de não emitir a sua opinião sobre as coisas, mas sobre como nós falamos e o que falamos às pessoas que estão a nossa volta. Pois, a maneira como falamos, se agressivamente, se na hora errada, se com tom irônico ou provocador, podem influenciar diretamente na vida daqueles que nos ouvem. Muitas vezes, por causa de um momento inadequado para falar algo a alguém, provocamos danos grandiosos. Por outro lado, a Bíblia diz que “como maças de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita ao seu tempo” (Pv 25.11), ou seja, quando a repreensão vem na hora certa e não em meio à euforia de uma discussão, provoca harmonia e refrigério (Pv 25.12,13) em vez de provocar a ira.
No entanto, inúmeros casamentos passam por momentos de turbulências por falta de sabedoria no falar. As palavras, sejam elas escritas ou faladas, expressam aquilo que nós sentimos, por isso, a Bíblia diz que a boca fala do que há em abundância no coração (Mt 12.34). Sabendo disso, o que você diz ao seu cônjuge pode enfraquecer ou fortalecer o seu relacionamento.

O poder destrutivo das palavras

Em minha opinião, as palavras destrutivas (entenda por palavras destrutivas as de baixo calão, pejorativas, críticas grosseiras, etc.) têm o mesmo peso de um soco na cara, com uma diferença muito acentuada de que as consequências do soco podem desaparecer em questão de dias, porém as das palavras podem perdurar por muitos anos, caso não sejam perdoadas.
Conheço cônjuges que convivem com a mágoa de coisas que ouviram a muitos anos e que são apenas reforçadas negativamente quando ouvem mais palavras destrutivas. Para algumas pessoas, as palavras desse tipo parecem fluir naturalmente, não se dando conta dos males que provocam ao dizer o que pensam, e nem mesmo reconhecem seus erros quando percebem o quanto são destrutivos.
Lembro-me de um congresso em que participei ministrando junto com o pastor Elias Rocha. O tema da festa era bem sugestivo para o que vou lhe exemplificar aqui, “perdoando para ser perdoado”, que está baseado no texto de Mateus 6.14. Pois bem, na manhã de domingo, em que o pastor citado ministrava o estudo bíblico sobre perdão, Deus nos envolveu com uma graça tão grande que não havia ninguém ali que não sentisse aquele trabalhar do Espírito Santo de Deus. Então, uma mulher liberou o perdão ao marido por algo que ele lhe havia dito há muitos anos. Meu Deus! Fora algo tão libertador que ela recebeu renovo, e ele, a cura de uma dor nas costas que lhe impedia de dormir em sua própria cama.
Agora pense comigo na frustração emocional de um cônjuge que tudo que ouve é “você não presta para nada”, “você está feia”, “você é muito burro”, sem mencionar aqui outros termos pejorativos que denigrem a imagem do cônjuge, além das ofensas com palavras de baixo calão. Imagine como essa pessoa se sente por ouvir isso de alguém a quem escolheu para viver o resto de sua vida.
Não é à toa que convivemos com pessoas frustradas em nossa sociedade. Sem falar das que vivem com uma mágoa no coração durante muito tempo. São pessoas que beiram a depressão, pois já não sentem nenhuma vontade de se arrumar ou mesmo de viver. Tudo por conta de palavras que destruíram o seu emocional.

O poder construtivo das palavras

Se por um lado as palavras têm o poder de causar destruição, por outro, podem construir relacionamentos saudáveis, felizes e duradouros. Não há nada melhor do que ouvir da pessoa a quem você ama palavras inspiradoras, motivacionais e que provocam e despertam amor e admiração. Por isso, quero ressaltar a partir desse momento, algumas palavras que acabam caindo no esquecimento à medida que os anos vão se passando, mas que soam como melodia aos ouvidos de seu cônjuge. Chapman (2006), chama o que trataremos aqui de “palavras de afirmação” e ressalta que “o objetivo do amor não é obter o que se quer, mas fazer algo pelo bem-estar daquele que se ama. É verdade, porém, que ao ouvirmos elogios, palavras de afirmação, nós nos tornamos mais motivados a sermos recíprocos e fazer algo que o nosso cônjuge deseje” (p.46).
O valor do “como você está? ”Como é bom quando percebemos que somos importantes para as pessoas que estão à nossa volta e que elas se preocupam conosco. Ao longo dos anos de casados somos tendenciosos a não emitir mais nenhuma palavra de preocupação com o nosso cônjuge como se o simples fato de dormir na mesma cama e estar debaixo do mesmo teto já nos permitisse sabermos do estado das pessoas sem que, pelo menos, perguntasse. Saber como seu cônjuge está é mostrar-se preocupado e pronto para ajudar no que for preciso.
O valor do “me desculpa” – Noutro texto, falaremos sobre o perdão, pois entendo ser um assunto muito importante e relevante para a vida dos casais, mas compreendo o quanto é confortante para um cônjuge saber que o outro reconhece que falhou e pede desculpas. Embora isso pareça simples, para muitas pessoas, estas duas palavrinhas parecem não fazer parte de seu vocábulo de palavras. Machucam o cônjuge e não reconhecem que o fizeram, jogando a responsabilidade para o tempo restabelecer o que as palavras fragilizaram.
O valor dos elogios – Não frisei nenhum em particular, pois sei o quanto o elogio, seja ele qual for, é gostoso de se ouvir. Já parou para pensar que talvez seu cônjuge esteja ansioso para ouvir “esta comida está maravilhosa, meu amor”, ou “você está linda”. Não se engane: homens também gostam de ser elogiados por suas esposas. Palavras como “você é o homem da minha vida”, ou “você está bonito”, deixam-nos com o ego acima da média. Fato é que a correria do dia a dia, não podem nos impedir de elogiar sempre o nosso cônjuge.
O valor do “eu te amo” – Quantas vezes esta semana, você já disse para o seu cônjuge que o amava? Você costuma ouvir muito essa frase no seu dia a dia? Não?! Então prepare-se para mudar de atitude a partir de hoje, se realmente deseja ter um casamento melhor, mais duradouro e pleno de felicidade.
Uma das coisas que precisa mudar em muitos relacionamentos conjugais é a falta de carinho. Com o passar do tempo, a falta desse elemento tão importante parece se tornar comum para os cônjuges. E, o que vai se desencadeando em uma grande crise no casamento, pode ter sua origem exatamente na falta de carinho por uma parte ou ambas, no cultivo de um relacionamento saudável na presença de Deus.
Digamos que o carinho é tão salutar para o casamento como o respirar é para vida. Não fosse assim, você talvez nem teria sentido algum tipo de atração pela pessoa que hoje está ao seu lado. Ou você vai me dizer que o que lhe chamou a atenção nele (a) foi exatamente o modo grosseiro que lhe tratou a primeira vez que se viram? É evidente que não! As pessoas são atraídas pelo modo como as outras as tratam. É claro que não entram nesse mérito os que têm o interesse financeiro como único combustível, todavia esses também ora ou outra sentirão falta desse importante elemento na vida conjugal.
Você deve saber muito bem que atos de carinho são resultados de uma prática cotidiana - que na verdade quero trazer aqui como “cultura”- que implantamos em nossa vida diária e em nossos relacionamentos. Logo, em muitos relacionamentos está faltando a cultura do “eu te amo”.
Muitos casais, com o passar do tempo, acabam perdendo os bons hábitos de carinho e cumplicidade. Muitas são as possíveis razões para isso, podem argumentar os que já vivem um comodismo na vida de casado. Na verdade, nossas razões são puramente egoístas mesmo, simplesmente não nos preocupamos com o bem-estar emocional daquele (a) que está ao nosso lado. Até porque quando namorávamos o cansaço não era razão para não visitarmos a namorada (o), bem como para oferecer àquele (a) algo bom e agradável.
O que deve ser bem esclarecido aqui é que as palavras boas como o “eu te amo” devem se tornar uma cultura em nosso casamento. Todos nós somos emocionais por natureza e ouvir frases como essas estimulam as nossas boas emoções nos tornando pessoas mais produtivas e recíprocas. Aproveite esse dia para dizer “EU TE AMO” para quem você ama.

Gerando vida pelas palavras

Está na hora de provocamos mais o crescimento das pessoas em detrimento da destruição. Às vezes, por uma simples falta de conhecimento dessas verdades, acabamos ferindo as pessoas à nossa volta pelo simples fato de não sermos prudentes em nossas palavras. Pessoas assim, precisam saber o quanto matam outras pessoas por meio das palavras. Em vez disso, você precisa cultivar a boa prática de dizer palavras de vida não só para os que estão à sua volta, mas principalmente para o seu cônjuge. Por isso, permita-nos lhe dá algumas recomendações e não nos tome por chatos se voltarmos lá no primeiro ano, quando a tia ensinava as palavrinhas mágicas, é que simplesmente, no casamento, parece que nos esquecemos delas.
Em primeiro lugar, cultive as palavrinhas mágicas sempre que necessário – Alguns cônjuges têm a falsa concepção de que ser educado (a) só vale da porta de casa para fora. Ledo engano. Não é porque você dormiu a noite inteira com o seu cônjuge que não deva lhe saudar com um “bom dia”. Da mesma maneira, não é pelo fato de seu cônjuge lhe fazer um favor que não mereça receber um bonito e sonoro “obrigado”. Se voltou a noite do trabalho e quando saiu ela estava dormindo, um “boa noite” e “tudo bem com você? ” fazem muita diferença e demonstram o quanto se importa com a pessoa amada. Assim, existem muitas palavras inteiramente necessárias à convivência a dois que simplesmente por falta de cultivo são extintas do casamento.
Em segundo lugar, evite desabafos no calor das discussões – Se você tem algum desconforto em relação a algo que acontece em seu casamento, significa que ambos precisam conversar sobre isso e o calor de uma discussão não é a melhor hora para fazê-lo. Com o sangue à flor da pele, somos tendenciosos a falar o que vem à cabeça sem ao menos avaliar o peso de nossas palavras. Nessas horas acabamos proferindo palavras destrutivas. Por isso, procure conversar civilizadamente, pois uma boa comunicação é a melhor maneira de resolver as coisas sem causar danos emocionais.
Em terceiro lugar, evite termos pejorativos – Acredito que ninguém gosta de ser chamado por um termo que exprime algo desagradável. Palavras como “cachorro”, “vaca”, “égua”, “jumento”, bem como outros que não são permitidos aqui, não podem ser cultivados em sua relação, isso torna-se uma grande falta de respeito e, consequentemente, abalará o amor entre os dois.
Em quarto lugar, profira muitas palavras construtivas – Faça de seu casamento um ambiente em que todos possam se sentir bem e motivados. E que sempre haja uma palavra boa e que produza a vida. Use e abuse dos elogios, das palavras de incentivo, dos bons conselhos, etc. Um lar rico em palavras de vida, produzirá casais mais forte, alegres, motivados e, acima de tudo, pais amorosos.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Série Mudança de Comportamento


O VALOR DA CONFIANÇA NO CASAMENTO
*Por: Auricléssio Lima 


“Logo após a revelação de Joanna, as emoções mais intensas de Raphael foram a dor e o desapontamento. Chorou por trinta minutos seguidos, tão logo ela terminou de revelar a traição…Logo depois, seguiu-se a depressão, aquele senso de desespero, a sensação de que nada poderia ser feito para reparar o dano…” (CHAPMAN, 2009).
Esse foi o sentimento vivido por alguém que perdera a confiança em quem mais amava. Não se trata de um caso isolado, milhares de cônjuges têm se deparado com esta infeliz revelação, que destrói as bases do matrimônio, sendo uma delas, a confiança.
A confiança está sustentada por alguns pilares, entre eles está a fidelidade, que por sua vez, envolve lealdade. Salomão se expressou muito bem ao retratar o sentimento daquele que antes confiava em alguém que agora se revelou desleal: “Como dente quebrado e pé deslocado, assim é a confiança no desleal, no tempo da angústia”. (Pv 25.19). Isso nos mostra que confiar nas pessoas já é algo, por si só, muito melindroso, imagine depositar a sua confiança em alguém totalmente desleal.
Por isso, a confiança é, sem dúvida, um dos valores mais importantes em uma relação, pois sem essa, como se amará? Como manter a comunicação se não há como saber se as palavras são verdadeiras? Como compartilhar sua vida com alguém que não lhe inspira confiança?
Por ser uma palavra tão pronunciada e cultivada no contexto social, ela se torna fácil de ser encontrada nos dicionários. Segundo Aurélio, ela representa “crédito, fé, boa fama”, (p. 174). Para Figueiredo ela pode ser entendida como “esperança firme. Segurança íntima com o que se procede”. Ou seja, a confiança envolve intimidade em quem tem uma conduta livre de falsidade. Por sua vez, confiança é a forma substantivada do verbo confiar, e quem confia se “entrega com segurança”, (FIGUEIREDO, p. 524). Segundo o estudo etimológico, a palavra confiança “vem do Latim confidentia, “confiança”, de confidere, “acreditar plenamente, com firmeza”, formada por COM, intensificativo, mais FIDERE, “acreditar, crer”, que deriva de FIDES, “fé”.
Ouso afirmar que, a confiança é um dos elos principais que une qualquer tipo relacionamento, inclusive o nosso com Deus. Salomão nos instrui a confiar no Senhor para que nossas obras e os nossos pensamentos sejam estabelecidos (Pv 16.3). Entretanto, o valor da confiança tem sido deteriorado por vários fatores, vamos entender alguns deles.
Sem dúvida, os casos de infidelidade são os campeões. Acredito que você já ouviu falar que após uma traição, é extremamente difícil voltar a confiar plenamente no parceiro (a). Minha opinião em relação a essa afirmativa é favorável, entretanto, por mais longo que seja a restauração da confiança, ela ainda é possível. Infelizmente, o índice de infidelidade entre os brasileiros é alarmante, o que demonstra uma cultura aquém do esperado. Observe a pesquisa extraída do site O globo, divulgada em novembro de 2011:

“Quem olha para os casos de infidelidade declarados pelos brasileiros corre o risco de perder o sono. Entre os homens, o percentual daqueles que dizem já ter traído pelo menos uma vez na vida chega a 70,6%. Entre as mulheres, o número é 56,4%... O levantamento mostra que apenas 36,3% dos brasileiros nunca traíram um parceiro. Só a Colômbia consegue ter um número ainda menor de fiéis convictos: 33,6%”.

Por esses dados, podemos inferir a realidade caótica dos relacionamentos. Com essa situação, a probabilidade é que mais de 70% dos casais vivem na sombra da desconfiança no cônjuge. No início deste texto, apresentamos um relato sobre os sentimentos de uma pessoa traída. É fato inquestionável como essa atitude destrói bases confiáveis construídas ao longo de toda uma vida. Mas, por outro lado, não deixe de acreditar, que o perdão tem um enorme poder restaurador. Há casamentos que mesmo sofrendo um abalo na confiança por parte de um dos cônjuges, conseguiram estabelecer e reconquistar a confiança um do outro.
Um outro fator que tem gerado a quebra da confiança está voltado à influência social. O que se prega nos grupos sociais é exatamente a mentalidade da desconfiança com o parceiro, o que nos ratifica essa informação são expressões como: “não confie demais”, ou “quem confia demais quebra a cara”, alguns ainda utilizam de forma errônea o texto bíblico de Jremias 17.5 “Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!”,  no entanto, observe que esse texto está se referindo ao sentido de nos apoiar na força humana em detrimento da força de Deus, não podemos entender essa passagem bíblica como orientação a não confiarmos nas pessoas.
Há ainda um outro fator que tem contribuído para a desconfiança nos relacionamentos, que são os aparatos midiáticos. Esses, por sua vez, têm afastado os casais, mesmo convivendo na mesma casa. Há casos de cônjuges que não se conhecem como deveriam por não desfrutarem de uma comunicação externa aos veículos de mídias sociais. Por passarem tanto tempo envolvidos com sites e aplicativos como facebook, instagram, twitter, whatsApp entre outros, acabam por não desfrutarem de conversas reais e sem o diálogo real – aquele cara a cara - o relacionamento fica vulnerável à desconfiança. Como prova disso, responda a seguinte indagação: você confiaria em alguém que não conhece? Absolutamente, não!
Esses são apenas os meios mais comuns que têm provocado a desconfiança entre os casais de nosso tempo. Se seu relacionamento tem se assemelhado com alguns dos critérios mencionados, tenha uma ação efetiva o quanto antes, caso contrário, seu casamento poderá chegar à  condição insuportável. Não há como esconder os efeitos devastadores provindos de uma relação pautada  na desconfiança, uma vez que são várias as implicações existentes, tais como: a frieza emocional, discussões, insatisfações, ausência de confidencialidades, e até mesmo uma vida sexual raquítica, pois o sexo se torna mais uma obrigação do que prazer.  Verdade seja dita: quem vive em um ambiente assim, não conseguirá ser feliz, pois a amargura na alma será constante, devido aos vários conflitos e discussões, que abrirá uma ferida no seio conjugal causando dores e sofrimentos pela decepção e frustração.
É primordial termos alguém no qual podemos confiar, seja qual for o momento, aliás, esse alguém precisa ser a pessoa que escolhemos compartilhar nossa vida. Diante disso, vamos entender alguns fatores essenciais que geram e mantém uma confiança firme e verdadeira no relacionamento.
Em primeiro lugar, a confiança fundamenta-se no caráter. Como já identificamos, o termo confiança está relacionado a depositar algo, creditar em alguém nossa intimidade, segredos, e até mesmo nossa vida. No entanto, torna-se inviável fazermos depósitos de nossos sentimentos em um banco do qual não conhecemos. Imagine comigo: é sábio creditarmos bens de altos valores em um banco que possui uma má reputação? Certamente não! Se pretendemos iniciar uma relação em qualquer instituição financeira, a primeira coisa a ser feita é a consulta do histórico do banco, se este tem uma boa reputação e se tem se sobressaído positivamente no mercado financeiro. Caso sim, estaremos mais confiáveis em guardar nossos bens em um determinado banco. Assim também, é a nossa vida pessoal. Como depositar nossos sentimentos em alguém com uma má reputação? O caráter de alguém é uma das bases a serem avaliadas para atribuirmos confiança. Veja a abrangência do termo caráter de acordo com Renovato (2017, p. 05): “a característica responsável pela nossa ação, reação e expressão máxima da personalidade. A maneira de cada pessoa agir e expressar-se...tem a ver com os princípios, valores e ética de cada um”.
Diante dessa definição, ratificamos que é impossível atribuir confiança em alguém que não nos transmite tais virtudes provindas de um caráter ilibado. O caráter é a base inicial para creditarmos confiança. Se o nosso cônjuge age de maneira correta, possui princípios voltados a honestidade, é verdadeiro consigo mesmo e com o próximo, tem suas ações aprovadas pela sociedade e por Deus, esse certamente é digno de nossa confiança.
Em segundo lugar, a confiança está sustentada na verdade. Embora, o ato de ser verdadeiro está relacionado com o nosso caráter, quero destacar esse ponto, pois julgo ser extremante relevante para o fortalecimento do que estamos tratando aqui. Quando afirmamos que a confiança está sustentada pela verdade, gostaria que você associasse essa virtude a uma rocha. Assim como Cristo afirmou que uma casa só é firme se estiver construída sobre uma rocha – que neste caso é entendida como a palavra de Deus - também a confiança entre os cônjuges só prevalece se estiver fundamenta sobre esta palavra. E Jesus Cristo disse que a sua palavra é a verdade (Jo 17.17). Afinal, somente alicerçados na palavra de Deus podemos garantir a sobrevivência de nossa casa em meio a qualquer adversidade, (Mt 7.21, 24-27). Logo, a verdade fortifica e dá credibilidade para a confiança no relacionamento.
Desta forma, nos sentiremos confiáveis ao andar sobre um solo que temos a certeza que não vai sucumbir. A confiança na relação tem o mesmo princípio, se ambos os cônjuges forem verdadeiros, estarão colocando a verdade como fundamento de sua relação. Com isso, o nível de confiabilidade é o mesmo que andar sobre um solo rochoso e ter a certeza que este não vai desmoronar.
O ato de ser verdadeiro um com o outro, resulta também em uma barreira contra a difamação. Quando a verdade é mantida, a palavra do cônjuge será digna de confiança. Há casais que acreditam mais em terceiros do que no próprio parceiro (a). Muitos, ao ouvirem boatos escandalosos já abordam com hostilidade seu companheiro (a). Isso, acontece na maioria dos casos quando o cônjuge já tem faltado com a verdade. Porém, se ambos manterem-se fiéis um ao outro no relacionamento as mentiras não terão espaço.
Por outro lado, se o relacionamento for pautado em mentiras, não subsistirá. E assemelho um relacionamento deste tipo, como andar sobre uma fina camada de gelo, a qualquer momento o solo pode afundar. Conviver em um relacionamento cheio de mentiras, é andar com a dúvida ao seu lado. E como confiar em um solo duvidoso? Saiba que a verdade nos dá a certeza de que podemos confiar na pessoa que escolhemos para passar todos os dias de nossa vida. Por isso, seja verdadeiro, essa é e sempre será a melhor opção.
Em terceiro lugar, a confiança está fincada no comprometimento. Dentre as palavras que expressam valores de uma pessoa, gosto tanto da pronúcia quanto do significado desta. O Comprometimento pode ser visto pelo nível de envolvimento de alguém em determinada situação. O verbo desta palavra é “comprometer”, ou seja, “obrigar por compromisso feito; implicar; envolver”, (AURÉLIO, p.169). Veja que alguém que possui essa virtude e está envolvido é participante ativo dos ocorridos. Não sei se você conhece alguém que é comprometido com seus objetivos e está envolvido com sua família, participando ativamente da vida de seus filhos e sua esposa. Tudo o que ele (a) se propõe a fazer faz com desvelo, porque há o envolvimento completo com o compromisso assumido.
Bem, já deu para perceber que se houver, de ambos os cônjuges, comprometimento em um relacionamento, seu casamento será marcado por constante crescimento. Como é bom quando o casal está comprometido com a felicidade, com os objetivos pessoais de cada um. Essa virtude, possibilita que além de marido e mulher, o casal também estabeleça relações de verdadeira amizade.
Em quarto lugar, a confiança está envolta pela lealdade.  A lealdade é imprescindível para que se estabeleça a confiança. Ser leal é agir “Conforme com a lei, digno. Honesto. Sincero. Fiel: esposa leal”, (FIGUEIREDO, p.1200). Observe, que a lealdade envolve agir em conformidade com um compromisso feito. Quando quebramos o compromisso de ser fiel, estamos sendo desleais tanto ao nosso cônjuge quanto a nós mesmos. Ser desleal aponta para um perfil de alguém fraco o suficiente para não manter seus compromissos.
Quando somos leais ao nosso cônjuge estamos promovendo um nível de confiança altíssimo e como prova disso lhe pergunto: você confia em Deus? Acredito que sua resposta é absolutamente sim! Mas, por que confiamos em Deus? Por que temos tanta confiança nEle? A resposta é bem simples, logo Deus se mantém fiel ao compromisso que Ele fez para conosco, independente de nossas falhas, Ele permanece fiel. É o que diz Paulo na epístola a Timóteo: “Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo.(II Tm 2.11-13).
Por fim, tenhamos certeza de uma coisa: nossa lealdade ao nosso conjugue é proporcional ao nível de confiança. Se desejamos ser dignos de confiança sejamos leais em quaisquer situações.


*Auricléssio Lima é presbítero na Assembleia de Deus em Canaã dos Carajás. Articulista, pregador e escritor. Bacharel em teologia e licenciando em Pedagogia pela UEPA.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Série Mudança de comportamento


O VALOR DO RESPEITO NO CASAMENTO
Por: Edeilson Santos

O respeito é a base de toda e qualquer relação humana. Discordar disso é estar aberto para constantes conflitos, e muitos são os casamentos que chegam ao esfacelamento total pela falta desse requisito necessário para manutenção das relações conjugais e familiares. Minha esposa conversava com uma mulher que havia passado recentemente por uma separação e indagada sobre a possibilidade de voltar para o seu ex-marido, ela disse: “o respeito acabou”. Noutras palavras: não havia qualquer chance de reconciliação, pois, os cônjuges não se toleravam mais. Realmente, essa é uma situação lamentável e triste.
Antes de fazermos qualquer consideração acerca deste assunto deixe-nos trazer a definição do dicionário Globo (1998, 50ª ed.) acerca da palavra respeito:

Respeito: Ato ou efeito de respeitar; acatamento; importância; Consideração.
Respeitar: Tratar com acatamento;... Honrar;... Ter em consideração.

É natural que em nossa maneira de viver e no constante processo de convivência com os outros, desejemos nos sentir confortáveis. Mas, para que isso aconteça é necessário haver uma consideração em relação ao outro. Quando acaba o respeito, eliminam-se todas as chances de conciliações e acordos entre duas pessoas.
A relação conjugal é também estabelecida por essa virtude. E não é simplesmente um respeito em que só uma das partes é beneficiada, pelo contrário, o respeito deve partir de ambos.
Perguntei para alguém que questionava ferrenhamente sobre a atitude de amar ao próximo estabelecida por Jesus nos evangelhos: O que é amar o próximo para você? Sem muitas palavras, em sua resposta, fez a importante associação do amor ao respeito.
— “Amar o próximo é respeitá-lo” — disse ela.
Quando fazemos esse tipo de associação, estamos mostrando que tanto o amor, quanto o respeito são atitudes e não meramente palavras. João escrevendo sobre o amor disse: “Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade” (I Jo 3.18). Não muito distante disso, o respeito como uma das bases que sustentam o amor, deve acontecer não só em palavras, mas em ações.
Logo, se o respeito é uma atitude de amor, deixamos de amar quando desrespeitamos o nosso cônjuge. Na verdade, somos tendenciosos a usar o respeito para nos beneficiar em algumas situações que julgamos importantes e nos esquecemos que tão importante quanto é para nós, também o é para o nosso próximo.
Tente lembrar, neste momento, como era a sua atitude quando conheceu o seu cônjuge. No namoro, geralmente, nos comportamos muito bem: nos preparamos para encontrar o outro; planejamos muito as palavras para falar; tentamos não ser ríspidos - e quando somos, pedimos desculpas; não temos hábitos não higiênicos na frente do outro; ou seja, nos preocupamos ao máximo com o bem-estar do pretendente a casamento revelando a consideração que temos em relação a ele (a).
No casamento, portanto, isso não deve acabar. A intimidade que passamos a ter com o outro não denota a extinção do respeito. Pelo contrário, nossas atitudes devem maximizar isso, pois à medida que eu considero o meu cônjuge, agindo com respeito, o nosso amor se estabelece e aumenta.
Todavia, se minhas praticas cotidianas desmerecem o meu cônjuge a tendência é que a admiração também acabe. Quantos não eram admirados pelo parceiro (a) durante o namoro, mas que quando casaram começaram a ser tratados com total desrespeito ao ponto de deixarem ser admirados. Suas palavras passaram a ser ofensivas, suas ações passaram a ser constrangedoras, perdeu o senso de moralidade para com o outro. Todas essas ações acabam enfraquecendo o casamento e provocando em muitas situações até o divórcio.
Mas, permita-nos discutir algumas atitudes que consideramos inteiramente necessárias para a manutenção do respeito em sua relação conjugal:
Em primeiro lugar, converse, exponha suas insatisfações - Tente conversar com seu cônjuge sobre como se sente quando é tratado (a) sem o devido respeito. Muitos casais passam a vida toda insatisfeitos por não serem tratados com a devida consideração que merecem como cônjuges, isso quando suportam por muito tempo. Particularmente, entendo que nossas insatisfações devem ser expostas ao cônjuge, afinal ninguém é obrigado a conviver num ambiente em que as pessoas que fazem parte dele não nos respeitam. Você pode com toda a razão argumentar: “Mas ele (a) não me ouve”. Neste ponto, preciso esclarecer dois passos importantes: primeiro, você se comporta exatamente como deseja que seu parceiro (a) se comportasse? Geralmente exigimos de nosso cônjuge aquilo que nós mesmos não praticamos. Respeito requer também respeito, atenção também requer atenção, e assim por diante.
Segundo: uma boa dica é aproveitar uma oportunidade favorável para chamar a atenção para pontos que você considera como falta de respeito. É bom não expor suas indignações em momentos de raiva ou discussões. Do contrário, não surtirá nenhum efeito positivo.
Pois bem, às vezes algumas pessoas agem naturalmente e têm ações que aos seus próprios olhos não ofendem nem agridem ao outro. Por isso, precisam ser despertados para determinadas atitudes. Um bom exemplo para frisarmos aqui é o hábito de “soltar pum”, totalmente necessário e natural ao nosso organismo, no entanto, absolutamente não higiênico quando feito perto de outras pessoas. Para alguns, que acham que a intimidade conjugal pode acoplar isso, esse ato pode ser considerado normal, mas não é. E é tão verdade essa palavra, que no namoro não costumávamos agir assim.
Em segundo lugar, toda esposa espera um marido que a respeite – É triste quando ouvimos casos de esposas que são desrespeitadas pelos cônjuges. Mas há casos bem mais extremos, de homens que denigrem a imagem da sua esposa, muitas vezes publicamente. Quando um marido age dessa maneira descumpre totalmente o juramento, que fez no altar, de respeitar a sua esposa até que a morte os separe, além de descumprir também a palavra de Deus que exorta a amar a sua esposa como Cristo amou a Igreja (Ef 5.25). O respeito está intrinsecamente ligado com o ato de considerar o outro, e muito mais que isso, ele precisa ser demonstrado por meio de suas ações, afinal, respeito é bom e todo mundo gosta. Como você costuma tratar sua esposa? Hostilizando-a? Tratando-a como um objeto? Chamando-a por termos pejorativos? Agindo grosseiramente em sua presença? Pergunto-lhe mais ainda: Você, como igreja de Jesus Cristo, gostaria de ser tratado por Ele, da mesma forma que, às vezes, costuma tratar sua esposa? Se você quer obter respeito de sua esposa, antes de tudo, respeite-a.
Em terceiro lugar, todo esposo espera ser respeitado pela esposa - Não quero aqui em nenhum momento favorecer os homens em relação a esta atitude, mas ressaltar a importância do respeito dentro do âmbito conjugal. O respeito é uma atitude que deve ser preservada em todas as relações humanas. Falando nisso, lembro-me que participei de um encerramento de uma campanha em que a pregadora, ao se referir ao marido, que também estava presente, o chamou de babão em um tom bem pejorativo diante de todo o povo ali reunido. Lamento, irmãos, mas não posso ver isso como uma atitude de respeito, afinal, respeito é, dentre muitas definições, considerar o outro. O que achava do marido não precisava ser exposto para uma congregação de mais de duzentas pessoas reunidas. Às vezes, algumas mulheres acham que o fato de seus maridos serem menos ativos em relação a elas – pois nós sabemos que existem mulheres que têm mais atitude que alguns homens – não lhes dá o direito de desrespeitá-los seja na intimidade do casamento ou publicamente. Cá está um bom argumento para responder a famosa indagação sobre o que é ser submissa de acordo com a Bíblia sagrada (Ef 5.22). Respeitar o seu marido é um ato de submissão que é bem visto pelo nosso Deus.
No mais sabemos que existem situações desconcertantes em muitos casamentos e não ignoramos isso. Se seu cônjuge não lhe ouve, persistindo em lhe desrespeitar com ações desonrosas, busque a Deus em oração. Como cristão, e neste momento falo por mim, não acredito que o Senhor deseje para seus filhos atitudes humilhantes em um relacionamento que deve ser pautado no respeito e no amor mútuo. Que Ele nos ensine a respeitar mais o nosso cônjuge.