quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Série Mudança de Comportamento


O VALOR DA RENÚNCIA NO CASAMENTO
Por: Auricléssio Lima


É comum vermos casais, seja o marido ou a esposa, que pensam que tudo deve girar em torno de si. Mal-acostumados a ter tudo o que sempre quiseram e não serem contrariados, vivem como se não tivessem que mudar algumas de suas práticas e comportamentos quando se casam. Todavia, se você resolveu compartilhar a vida com outra pessoa do sexo oposto, através do matrimônio, deverá incluir o verbo renunciar em seu repertório, ou seja, “abdicar, deixar voluntariamente de possuir algo, de exercer condição ou direito” (AURÉLIO, p. 597).
Não há como falar em uma virtude tão importante como essa sem mencionar Jesus. O próprio Cristo deixou sua glória por amor a nós, (Fl 2.7). Assim, também devemos seguir o exemplo de Cristo nos esvaziando do “eu” e viver em benefício do próximo. Diz a Bíblia Sagrada: “Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”. (Fl 2. 4,5). Tal sentimento foi demonstrado por meio de seu sacrifício em prol da humanidade. Ele não precisava ter feito tamanha ação, mas nos ensinou que a renúncia também faz parte de nossa caminhada cristã.
Nunca vivemos em uma época tão egocêntrica quanto esta, em que cada um atenta para seus próprios interesses, desprezando a condição do seu próximo. O individualismo tem sido marca nessa sociedade e para a maioria das pessoas tornou-se um desafio abdicar de suas próprias vontades, e infelizmente muitos casamentos têm sido marcados por isso.
Não podemos conceber um casamento em que as partes envolvidas não estejam dispostas a renunciar algumas coisas em prol do bem comum. Comumente frases como: “eu não posso fazer isso por você”, “eu não estou disposto a isso”, “eu não quero”, ou mesmo “eu não estou afim” tem revelado a falta de consideração de um cônjuge em relação ao outro. Permita-nos perguntar: Por que temos tanta dificuldade em renunciar nossa vontade em favor da coletividade e do bem familiar? A verdade é que a influência social tem adentrado em nossos lares, nosso ego evoluiu e se transformou em uma barreira tão alta, que não conseguimos enxergar as necessidades daquele (a) que amamos. Esse aspecto egocêntrico tem se enraizado na vida dos cônjuges. Todavia, precisamos rever nossos conceitos e promessas feitas no altar e iniciar um relacionamento pautado no bem do outro. Afinal, Deus instituiu o casamento para que não fossem mais dois, mas uma só carne (Gn 2.24).
Temos um hábito quase que natural e competitivo de sempre querer está certo e isso por vezes acaba afetando o nosso casamento. Abrir mão do “eu estou certo”, pode soar para alguns como derrota, mas, no relacionamento, não existe competição de quem está certo ou errado, renunciar seu direito, pode ser a melhor escolha para evitar conflitos e trazer a paz para a família.
A Bíblia nos dá mais evidências de que o matrimônio deve ser um espaço de renúncia. A primeira delas, direcionada às mulheres, diz que essas devem ser submissas aos maridos, (Ef 5.24). A exegese deste texto bíblico não tem o sentido de humilhação, como alguns chegam a pensar, e até se beneficiam de um falso entendimento, tornando suas esposas semelhantes à serviçais. Paulo utiliza o verbo hypotasso, isto é, “sujeição no sentido de submeter-se voluntariamente em amor”. (ARRINGTON, p.454). Essa submissão envolve respeito, amor honra, lealdade e fidelidade, os mesmos sentimentos requeridos à igreja para com Cristo. Com relação ao marido, esse deve amar a sua própria esposa como Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela (Ef 5.25). Partindo desse princípio, Jesus cumpriu muito bem esse papel, entregou a própria vida por amor de sua noiva, (Jo 3.16).
É importante atentar para um detalhe: a ação de Cristo foi incondicional, ou seja, Ele fez sem estipular condições. Os maridos não podemos pautar nossas ações por meio de condições, devemos agir em busca da felicidade de nosso cônjuge, isso de maneira incondicional. Assim deve ser a postura do esposo para com sua esposa, o bem dela é o bem dele, a alegria dela é a alegria dele. Por mais que para isso, ele tenha que abrir mão de seus direitos e suas vontades com o objetivo de salvar e proteger o bem-estar da esposa.
Percebe-se, portanto, que existe uma relação de renúncia entre Cristo e a Igreja, e o próprio Mestre disse que devemos negar a nós mesmos se quisermos segui-lo (Lc 9.23). Assim como a igreja renuncia aquilo que não agrada seu amado, devemos também renunciar o que não agrada o nosso cônjuge, afim de vivermos felizes. Nossa relação deve envolver os mesmos princípios: renúncia recíproca. Mas, como se estabelece essa relação? Como posso demonstrar essa virtude em meu casamento?
Em primeiro lugar, se importe mais com o seu cônjuge - É fato que para pensar no outro, ele deve ser importante para nós, é exatamente esse sentimento que é gerado quando realizamos atos de renúncia. Nosso cônjuge se sentirá valorizado, porque deixamos de fazer algo que queríamos em virtude da vontade dele. Se não sou capaz de renunciar nenhuma de minhas vontades, como posso dizer que me importo com minha esposa (o)? Alguma vez você já abriu mão de seu direito por que não quis ferir sua esposa (o)? A renúncia só acontece, quando nos importamos mais com o outro do que com nós mesmos.
 Em segundo lugar, comprometa-se mais com seu cônjuge - Eu particularmente gosto dessa palavra, ela indica “compromisso, envolvimento” (AURÉLIO, p. 169). Casamento é isso. Logo, se não estou aberto a abrir mão daquilo que agrada unicamente a mim, não estou completamente envolvido com as necessidades da minha família. O envolvimento é parte fundamental para a felicidade do casal, pois diz respeito à capacidade de compartilhar, quem está envolvido verdadeiramente, compartilha, renuncia, coloca as necessidades do outro à frente das suas.
Em terceiro lugar, sacrifique um pouco suas vontades em prol do seu cônjuge – Não é fácil ceder para que o outro prevaleça, mas o casamento, muitas vezes exige isso de nós. Quem disse que nós sempre estaremos com a razão? Há momentos que é melhor não ter razão, porém desfrutar de perfeita paz em nossa vida conjugal, do que tendo, vivermos como em um campo de batalha. Se você está lidando com uma pessoa difícil seja quem Deus vai usar para promover a paz em seu lar.
Em quarto lugar, aprenda a lidar com a opinião contrária – Essa talvez seja uma das mais difíceis tarefas a se fazer, seja no casamento ou em qualquer outro âmbito de nossa vida. No casamento, quando ambos os cônjuges estão com o sangue à flor da pele, isso parece ser mais difícil ainda. Entretanto, a renúncia nos ensina a lidar com as opiniões contrárias, aprendendo a relevar aquilo que só tende a desconstruir minha relação.
Nas palavras de Josué Gonçalves, “os casais devem saber que Deus os estabeleceu na terra não para viverem para si mesmos, mas para alcançar outras famílias” (p.83). Quando exercitamos o verbo renunciar estamos gerando exemplo para outros, estamos praticando o amor ao próximo. O Casal que vive um para o outro será um casal exemplar para anunciar a palavra de Deus.
Já a incapacidade de praticar atos de renúncias indica acima de tudo um amor egoísta e mesquinho. No entanto, quando abrimos mãos de nosso egoísmo, cumprimos o bem da coletividade e alcançamos a felicidade da família.



Bibliografia

CHAVE, Bíblia de estudo palavra, Hebraico e Grego. 2ª ed.; 2ª reimpr. Rio de Janeiro: CPAD, 2011. Texto Bíblico: Almeida Revista e Corrigida, 4ª Edição, 2009 – Sociedade Bíblica do Brasil

PENTECOSTAL, Comentário Bíblico. Novo Testamento. Vol. 02, Romanos- Apocalipse. Editora CPAD, 2012.
         
DICIONARIO DA BILBIA DE ALMEIDA, Werner Kaschel Zimmer,2ª Edição Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005.

GONÇALVES, Josué. Casamento é uma viagem: 12 regras para sua viagem dar certo. Editora: Mensagem Para Todos, 2015.

NOGUEIRA, Makeliny Oliveira Gomes, Daniela Leal. Teorias da aprendizagem: um encontro entre os pensamentos filosóficos, pedagógicos e psicológicos. Curitiba, Editora Interesaberes, 2013. – (Série Construção Histórica da Educação)




4 comentários:

  1. Edificante o artigo deixe seu comentário e espero ser proveitoso para o crescimento e aprimoramento da vida conjugal

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  2. O texto está realmente bom. E a série continua. Leitores deixem os seus comentários aqui.

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  3. Uma benção , ótimo já estarei esperando a outras séries

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  4. Parabéns pelo artigo, muito proveitoso. Já estou no aguardo da próxima

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