O VALOR DA CONFIANÇA NO CASAMENTO
“Logo após a revelação de Joanna, as
emoções mais intensas de Raphael foram a dor e o desapontamento. Chorou por
trinta minutos seguidos, tão logo ela terminou de revelar a traição…Logo
depois, seguiu-se a depressão, aquele senso de desespero, a sensação de que
nada poderia ser feito para reparar o dano…” (CHAPMAN, 2009).
Esse foi o sentimento vivido por alguém
que perdera a confiança em quem mais amava. Não se trata de um caso isolado, milhares
de cônjuges têm se deparado com esta infeliz revelação, que destrói as bases do
matrimônio, sendo uma delas, a confiança.
A confiança está sustentada por alguns pilares,
entre eles está a fidelidade, que por sua vez, envolve lealdade. Salomão se expressou
muito bem ao retratar o sentimento daquele que antes confiava em alguém que
agora se revelou desleal: “Como dente
quebrado e pé deslocado, assim é a confiança no desleal, no tempo da angústia”.
(Pv 25.19). Isso nos mostra que confiar nas pessoas já é algo, por si só, muito
melindroso, imagine depositar a sua confiança em alguém totalmente desleal.
Por isso, a confiança é, sem dúvida, um
dos valores mais importantes em uma relação, pois sem essa, como se amará? Como
manter a comunicação se não há como saber se as palavras são verdadeiras? Como compartilhar
sua vida com alguém que não lhe inspira confiança?
Por
ser uma palavra tão pronunciada e cultivada no contexto social, ela se torna fácil
de ser encontrada nos dicionários. Segundo Aurélio, ela representa “crédito,
fé, boa fama”, (p. 174). Para Figueiredo ela pode ser entendida como “esperança
firme. Segurança íntima com o que se procede”. Ou seja, a confiança envolve
intimidade em quem tem uma conduta livre de falsidade. Por sua vez, confiança é
a forma substantivada do verbo confiar, e quem confia se “entrega com
segurança”, (FIGUEIREDO, p. 524). Segundo o estudo etimológico, a palavra
confiança “vem do Latim confidentia,
“confiança”, de confidere, “acreditar
plenamente, com firmeza”, formada por COM, intensificativo, mais FIDERE,
“acreditar, crer”, que deriva de FIDES, “fé”.
Ouso
afirmar que, a confiança é um dos elos principais que une qualquer tipo relacionamento,
inclusive o nosso com Deus. Salomão nos instrui a confiar no Senhor para que
nossas obras e os nossos pensamentos sejam estabelecidos (Pv 16.3). Entretanto,
o valor da confiança tem sido deteriorado por vários fatores, vamos entender
alguns deles.
Sem
dúvida, os casos de infidelidade são os campeões. Acredito que você já ouviu
falar que após uma traição, é extremamente difícil voltar a confiar plenamente no
parceiro (a). Minha opinião em relação a essa afirmativa é favorável,
entretanto, por mais longo que seja a restauração da confiança, ela ainda é
possível. Infelizmente, o índice de infidelidade entre os brasileiros é alarmante,
o que demonstra uma cultura aquém do esperado. Observe a pesquisa extraída do
site O globo, divulgada em novembro de 2011:
“Quem
olha para os casos de infidelidade declarados pelos brasileiros corre o risco
de perder o sono. Entre os homens, o percentual daqueles que dizem já ter
traído pelo menos uma vez na vida chega a 70,6%. Entre as mulheres, o número é 56,4%...
O levantamento mostra que apenas 36,3% dos brasileiros nunca traíram um
parceiro. Só a Colômbia consegue ter um número ainda menor de fiéis convictos:
33,6%”.
Por
esses dados, podemos inferir a realidade caótica dos relacionamentos. Com essa
situação, a probabilidade é que mais de 70% dos casais vivem na sombra da
desconfiança no cônjuge. No início deste texto, apresentamos um relato sobre os
sentimentos de uma pessoa traída. É fato inquestionável como essa atitude
destrói bases confiáveis construídas ao longo de toda uma vida. Mas, por outro
lado, não deixe de acreditar, que o perdão tem um enorme poder restaurador. Há
casamentos que mesmo sofrendo um abalo na confiança por parte de um dos
cônjuges, conseguiram estabelecer e reconquistar a confiança um do outro.
Um
outro fator que tem gerado a quebra da confiança está voltado à influência social.
O que se prega nos grupos sociais é exatamente a mentalidade da desconfiança com
o parceiro, o que nos ratifica essa informação são expressões como: “não confie
demais”, ou “quem confia demais quebra a cara”, alguns ainda utilizam de forma
errônea o texto bíblico de Jremias 17.5 “Maldito
o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração
do Senhor!”, no entanto, observe que
esse texto está se referindo ao sentido de nos apoiar na força humana em
detrimento da força de Deus, não podemos entender essa passagem bíblica como
orientação a não confiarmos nas pessoas.
Há
ainda um outro fator que tem contribuído para a desconfiança nos
relacionamentos, que são os aparatos midiáticos. Esses, por sua vez, têm
afastado os casais, mesmo convivendo na mesma casa. Há casos de cônjuges que
não se conhecem como deveriam por não desfrutarem de uma comunicação externa
aos veículos de mídias sociais. Por passarem tanto tempo envolvidos com sites e
aplicativos como facebook, instagram, twitter,
whatsApp entre outros, acabam por não desfrutarem de conversas reais e sem o
diálogo real – aquele cara a cara - o relacionamento fica vulnerável à desconfiança.
Como prova disso, responda a seguinte indagação: você confiaria em alguém que
não conhece? Absolutamente, não!
Esses
são apenas os meios mais comuns que têm provocado a desconfiança entre os
casais de nosso tempo. Se seu relacionamento tem se assemelhado com alguns dos
critérios mencionados, tenha uma ação efetiva o quanto antes, caso contrário,
seu casamento poderá chegar à condição
insuportável. Não há como esconder os efeitos devastadores provindos de uma
relação pautada na desconfiança, uma vez que são várias as
implicações existentes, tais como: a frieza emocional, discussões, insatisfações,
ausência de confidencialidades, e até mesmo uma vida sexual raquítica, pois o
sexo se torna mais uma obrigação do que prazer. Verdade seja dita: quem vive em um ambiente assim,
não conseguirá ser feliz, pois a amargura na alma será constante, devido aos
vários conflitos e discussões, que abrirá uma ferida no seio conjugal causando
dores e sofrimentos pela decepção e frustração.
É
primordial termos alguém no qual podemos confiar, seja qual for o momento,
aliás, esse alguém precisa ser a pessoa que escolhemos compartilhar nossa vida.
Diante disso, vamos entender alguns fatores essenciais que geram e mantém uma confiança
firme e verdadeira no relacionamento.
Em primeiro lugar,
a confiança fundamenta-se no caráter. Como já identificamos, o termo confiança
está relacionado a depositar algo, creditar em alguém nossa intimidade,
segredos, e até mesmo nossa vida. No entanto, torna-se inviável fazermos
depósitos de nossos sentimentos em um banco do qual não conhecemos. Imagine
comigo: é sábio creditarmos bens de altos valores em um banco que possui uma má
reputação? Certamente não! Se pretendemos iniciar uma relação em qualquer
instituição financeira, a primeira coisa a ser feita é a consulta do histórico
do banco, se este tem uma boa reputação e se tem se sobressaído positivamente
no mercado financeiro. Caso sim, estaremos mais confiáveis em guardar nossos
bens em um determinado banco. Assim também, é a nossa vida pessoal. Como
depositar nossos sentimentos em alguém com uma má reputação? O caráter de
alguém é uma das bases a serem avaliadas para atribuirmos confiança. Veja a
abrangência do termo caráter de acordo com Renovato (2017, p. 05): “a característica
responsável pela nossa ação, reação e expressão máxima da personalidade. A
maneira de cada pessoa agir e expressar-se...tem a ver com os princípios,
valores e ética de cada um”.
Diante
dessa definição, ratificamos que é impossível atribuir confiança em alguém que
não nos transmite tais virtudes provindas de um caráter ilibado. O caráter é a
base inicial para creditarmos confiança. Se o nosso cônjuge age de maneira
correta, possui princípios voltados a honestidade, é verdadeiro consigo mesmo e
com o próximo, tem suas ações aprovadas pela sociedade e por Deus, esse
certamente é digno de nossa confiança.
Em segundo lugar,
a confiança está sustentada na verdade. Embora, o ato de ser verdadeiro está
relacionado com o nosso caráter, quero destacar esse ponto, pois julgo ser extremante
relevante para o fortalecimento do que estamos tratando aqui. Quando afirmamos
que a confiança está sustentada pela verdade, gostaria que você associasse essa
virtude a uma rocha. Assim como Cristo afirmou que uma casa só é firme se
estiver construída sobre uma rocha – que neste caso é entendida como a palavra
de Deus - também a confiança entre os cônjuges só prevalece se estiver
fundamenta sobre esta palavra. E Jesus Cristo disse que a sua palavra é a
verdade (Jo 17.17). Afinal, somente alicerçados na palavra de Deus podemos
garantir a sobrevivência de nossa casa em meio a qualquer adversidade, (Mt
7.21, 24-27). Logo, a verdade fortifica e dá credibilidade para a confiança no
relacionamento.
Desta
forma, nos sentiremos confiáveis ao andar sobre um solo que temos a certeza que
não vai sucumbir. A confiança na relação tem o mesmo princípio, se ambos os
cônjuges forem verdadeiros, estarão colocando a verdade como fundamento de sua
relação. Com isso, o nível de confiabilidade é o mesmo que andar sobre um solo
rochoso e ter a certeza que este não vai desmoronar.
O
ato de ser verdadeiro um com o outro, resulta também em uma barreira contra a difamação.
Quando a verdade é mantida, a palavra do cônjuge será digna de confiança. Há
casais que acreditam mais em terceiros do que no próprio parceiro (a). Muitos,
ao ouvirem boatos escandalosos já abordam com hostilidade seu companheiro (a).
Isso, acontece na maioria dos casos quando o cônjuge já tem faltado com a
verdade. Porém, se ambos manterem-se fiéis um ao outro no relacionamento as mentiras
não terão espaço.
Por
outro lado, se o relacionamento for pautado em mentiras, não subsistirá. E
assemelho um relacionamento deste tipo, como andar sobre uma fina camada de
gelo, a qualquer momento o solo pode afundar. Conviver em um relacionamento
cheio de mentiras, é andar com a dúvida ao seu lado. E como confiar em um solo
duvidoso? Saiba que a verdade nos dá a certeza de que podemos confiar na pessoa
que escolhemos para passar todos os dias de nossa vida. Por isso, seja
verdadeiro, essa é e sempre será a melhor opção.
Em terceiro lugar,
a confiança está fincada no comprometimento. Dentre as palavras que expressam
valores de uma pessoa, gosto tanto da pronúcia quanto do significado desta. O
Comprometimento pode ser visto pelo nível de envolvimento de alguém em
determinada situação. O verbo desta palavra é “comprometer”, ou seja, “obrigar
por compromisso feito; implicar; envolver”, (AURÉLIO, p.169). Veja que alguém
que possui essa virtude e está envolvido é participante ativo dos ocorridos.
Não sei se você conhece alguém que é comprometido com seus objetivos e está
envolvido com sua família, participando ativamente da vida de seus filhos e sua
esposa. Tudo o que ele (a) se propõe a fazer faz com desvelo, porque há o
envolvimento completo com o compromisso assumido.
Bem,
já deu para perceber que se houver, de ambos os cônjuges, comprometimento em um
relacionamento, seu casamento será marcado por constante crescimento. Como é
bom quando o casal está comprometido com a felicidade, com os objetivos
pessoais de cada um. Essa virtude, possibilita que além de marido e mulher, o
casal também estabeleça relações de verdadeira amizade.
Em quarto lugar, a
confiança está envolta pela lealdade. A
lealdade é imprescindível para que se estabeleça a confiança. Ser leal é agir “Conforme
com a lei, digno. Honesto. Sincero. Fiel: esposa leal”, (FIGUEIREDO, p.1200).
Observe, que a lealdade envolve agir em conformidade com um compromisso feito. Quando
quebramos o compromisso de ser fiel, estamos sendo desleais tanto ao nosso
cônjuge quanto a nós mesmos. Ser desleal aponta para um perfil de alguém fraco
o suficiente para não manter seus compromissos.
Quando
somos leais ao nosso cônjuge estamos promovendo um nível de confiança altíssimo
e como prova disso lhe pergunto: você confia em Deus? Acredito que sua resposta
é absolutamente sim! Mas, por que confiamos em Deus? Por que temos tanta
confiança nEle? A resposta é bem simples, logo Deus se mantém fiel ao
compromisso que Ele fez para conosco, independente de nossas falhas, Ele
permanece fiel. É o que diz Paulo na epístola a Timóteo: “Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele
viveremos; Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele
nos negará; Se formos infiéis, ele
permanece fiel; não pode negar-se a
si mesmo.(II Tm 2.11-13).
Por
fim, tenhamos certeza de uma coisa: nossa lealdade ao nosso conjugue é
proporcional ao nível de confiança. Se desejamos ser dignos de confiança
sejamos leais em quaisquer situações.

A paz
ResponderEliminarEspero contribuir para o enriquecimento da relação conjugal de cada leitor. .Abraços. ..
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Muito obrigado a todos que estão visitando o nosso blog. Espero que sejam grandemente edificados pelos textos aqui publicados.
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